São Paulo - A candidata do PSOL à Presidência da República, senadora Heloísa Helena (AL), responsabilizou ontem o PT e o PSDB pelos problemas na segurança pública. “O que nós temos hoje é a inconseqüência eleitoreira do PT e do PSDB depois de 12 anos de governo”, afirmou durante sabatina da “Folha de S.Paulo”.
A candidata está sendo entrevistada por Valdo Cruz (diretor-executivo da Sucursal de Brasília), Clóvis Rossi e Fernando Rodrigues (colunistas da “Folha”) e Renata Lo Prete (editora do “Painel”). Heloísa afirmou que o governo federal, há dois anos e meio, havia recebido um Plano Nacional de Segurança Pública das mãos de profissionais do setor, com propostas de um sistema único de segurança pública, entre outras coisas.
A senadora defendeu três medidas para a área. A primeira seria o monitoramento implacável dos chefões do crime organizado. “Até uma criança sabe que o problema é quando o chefão recarrega a bateria do celular”, disse.
A segunda medida seria um mutirão da Justiça para flexibilizar as punições para condenados a penas menores. A última seria o uso de um chip para monitorar os presos com indulto.
Caso Luiz Estevão
Ao ser questionada sobre rumores de que teria votado contra a cassação do ex-senador Luiz Estevão, em 2000, a candidata do PSOL à Presidência da República, senadora Heloísa Helena (AL), afirmou que os boatos surgiram porque ela é mulher e “brilha” em sua área de atuação.
“Eu não durmo com homem rico e ordinário. Eu vomito em cima”, disse. Segundo Heloísa, as mulheres que se destacam sempre recebem acusação de que dormiram com alguém para subir na carreira.
Luiz Estevão foi acusado de quebra de decoro parlamentar por manter relações, por meio de suas empresas, com a construtora Incal, do empresário Fábio Monteiro de Barros, no caso do desvio de R$ 169 milhões da obra do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) em São Paulo.
Durante a votação da cassação do mandato do então senador, em junho de 2000, houve violação do sigilo do painel eletrônico do Senado. Na ocasião, uma lista revelando o voto de cada parlamentar acabou vazando.
À época, o Conselho de Ética do Senado pediu a cassação, por suposto envolvimento no caso, do mandato dos senadores Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (PFL-DF), que acabaram renunciando em maio de 2001 para não perderem os direitos políticos. “Lista uma ova. Eu quero ver esta lista. Entre a minha palavra e a de ACM, a minha vale mais”, disse a candidata.