11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Cartão de crédito leva mais de 500 usuários ao Procon

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 4 min

Usar cartão de crédito requer cuidado com as armadilhas e, sobretudo, disponibilidade financeira. Atenção ao contrato e aos juros que incidem sobre esse recurso são fundamentais para evitar problemas mais tarde. Controlar o impulso consumista na hora de usá-lo também pode minimizar os riscos de assumir uma dívida indesejável.

Em Bauru, dados do Procon indicam que poucas pessoas devem estar levando em consideração essas orientações. Segundo o órgão, das 1.845 reclamações financeiras recebidas entre janeiro e junho deste ano, pelo menos 30%, ou cerca de 550, são referentes a cartão de crédito. Cobranças indevidas e o recebimento de cartões não solicitados lideram as dificuldades dos usuários que procuraram o órgão de defesa do consumidor.

“É essencial que a pessoa guarde os comprovantes para conferir a fatura depois. Esse procedimento é importante, principalmente para quem costuma pagar o mínimo do débito”, alerta o economista Mauro Gallo.

O consultor financeiro e professor universitário Carlos Eduardo de Oliveira também indica anotar as compras feitas com o cartão para evitar surpresas ao receber a fatura. “Discriminar num caderno informações sobre o valor da compra, a data e o local onde foi feita, é muito importante. Essa prática possibilita certificar-se com garantia se o total da fatura é procedente”, diz.

Outro grande prejuízo que onera os usuários de cartão de crédito é a possibilidade que o recurso oferece às pessoas de pagar um valor mínimo do débito. Mas a alternativa não é tão viável quanto parece. No mês seguinte, o consumidor terá uma incidência de juros no saldo devedor que pode atingir até 12% ao mês.

Foi o que aconteceu com a assistente-administrativa Cláudia Lorison Azevedo, 29 anos. Ela sempre optou por pagar o mínimo da fatura do cartão de crédito. “Quando percebi, estava devendo quase R$ 2 mil ao banco. Os juros aplicados sobre o débito total foram altíssimos. Não recomendo a ninguém usar cartão. É preciso usá-lo com muito cuidado para que a dívida não se torne uma bola de neve”, comenta.

De fato, o alerta de Azevedo merece atenção. Apesar do usuário pagar a parcela mínima do total que deve ao banco, seu limite não é bloqueado. Na maioria dos casos, o cliente não mede as conseqüências e acaba utilizando o dinheiro, o que faz aumentar ainda mais seu débito com o cartão. “Lógico que é bem mais cômodo pagar o mínimo, porque ele cabe no orçamento. Mas é preciso levar em consideração os juros aplicados sobre o cartão, que são altíssimos”, observa Gallo.

O consultor Oliveira também considera a prática extremamente inviável, principalmente por conta dos juros que são aplicados. Segundo ele, podem chegar até 12% ao mês. “Pagar o mínimo (da fatura) é uma grande armadilha que as operadoras adoram. A taxa de juros aplicada é superior à do cheque especial. A dívida vira uma bola de neve, que dificulta para a pessoa saldá-la”, acrescenta o consultor financeiro.

Planejamento

Planejar o destino do orçamento, não extrapolando o quanto se ganha, é tarefa básica para evitar dívidas. O consultor financeiro Carlos Eduardo de Oliveira recomenda fazer, regularmente, um planejamento pessoal ou familiar para não se perder com os compromissos financeiros, inclusive do cartão de crédito.

“É extremamente importante esse monitoramento. Evita problemas futuros, principalmente com os cartões, que são recomendáveis desde que a pessoa tenha o controle do que está adquirindo”, destaca.

O economista Mauro Gallo tem um posicionamento mais radical sobre o uso do cartão. “Para ter viabilidade econômica (o cartão), o usuário precisa de um rendimento mensal mínimo de R$ 2.500,00”, acredita. Para ele, o recurso, quando usado por consumidores de menor renda, tem de ser opção, por exemplo, para abastecer o veículo ou pagar a conta do restaurante, mas à vista. De acordo com o economista, essas operações, em geral, não oferecem desconto, portanto vale a pena debitar no cartão de crédito. Em caso de promoções que possibilitam parcelamento extenso a juros baixos, Gallo também orienta o uso do recurso.

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Crédito fácil

Está cada vez mais fácil conseguir crédito nas instituições financeiras. Atualmente, pessoas com renda a partir de R$ 700,00 têm a opção de adquirir cartão de crédito nas operadoras com o dobro do limite. Entretanto, o consultor financeiro Carlos Eduardo de Oliveira alerta que é preciso muita cautela antes de aceitar um plano como esse.

“Muita gente, por falta de dinheiro, acaba aderindo a esse recurso. Ao usar o cartão, o consumidor tem a ilusão de que não gastou muito. O dinheiro de plástico induz as pessoas ao consumo”, observa. Apesar desses riscos, Oliveira afirma que o cartão de crédito tem suas vantagens. Ele cita a facilidade que o recurso proporciona ao usuário de programar o pagamento da compra para a data do recebimento de seu salário. “Além disso, é possível dividir uma compra cara em várias vezes e ter acesso a várias promoções que visam apenas os usuários de cartão”.