10 de julho de 2026
Bairros

Mãe denuncia filhos por suspeita de drogas

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 2 min

A vontade de livrar os filhos, de 13 e 16 anos, do convívio próximo das drogas fez com que uma mãe os denunciasse para a Polícia Militar (PM). Para ela, uma decisão desesperada, sua última cartada. Para a PM, um caso incomum. Para profissionais da área psicológica, um exemplo de falta de apoio adequado e família desestruturada.

Dona Dinah (nome fictício), de 49 anos, afirmou não ter encontrado outra alternativa para conseguir ajudar os filhos. “Eu sei que eles estão andando com maus elementos há algum tempo. Não tinha mais ninguém a quem recorrer e decidi chegar ao extremo de chamar a polícia”, afirma a mãe.

O psicólogo e doutor em educação Luiz Carlos de Oliveira, que possui pesquisas sobre dependência química defende uma atuação diferente dos pais. “A melhor forma de resolver esses problemas é tentar o diálogo, sempre. Mas o pai também precisa de apoio familiar e ajuda profissional. Num caso como esse (da dona Dinah) a conversa já havia extrapolado”, explica o especialista.

Dinah confirma. “Já fiz de tudo. Tentei conversar várias vezes. Mas o que acontece é que eles vêem o que os outros fazem e acham que também podem tudo”, desabafa a mãe, que foi abandonada pelo marido há 13 e culpa a influência dos amigos.

Segundo a psicóloga Marly Rodrigues Bighetti Godoy, especialista em crianças e adolescentes, existem outras influências. “De modo geral, os jovens entram nas drogas de três formas. Sem saber, por imaturidade, seguindo o grupo. Por curiosidade, convivendo com algum amigo. Ou para aliviar tensões e problemas”, explica a psicóloga.

Criada em cidade pequena, Dinah acredita que os jovens perderam o interesse pela família. “Eu fui criada no interior, sei muito bem o que é respeitar um pai e uma mãe. Eles não aceitam o que eu falo”, reclama a mãe, que também não poupa a escola.

Para Marly, a atenção dos pais é primordial. “É preciso estar sempre presente, de olho aberto e mantendo diálogo constante”, explica. No entanto, o modo de lidar com os filhos tem que se adaptar a cada fase. Dados da Delegacia de Infância e Juventude (Diju) apontam que crimes relativos a drogas não estão entre os mais praticados pelos adolescentes de Bauru, eles vêm até caindo. Foram registrados 21 casos até ontem.

Para o delegado da Diju, Abel Abreu, esses problemas só poderão diminuir quando todos os segmentos da sociedade se unirem. “É primordial o engajamento de todos para a defesa de uma vida decente para os nossos adolescentes. Todos nós somos responsáveis”, afirma.