10 de julho de 2026
Regional

6 dias após reabrir, cadeia está quase cheia

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Bariri - Depois de 10 meses passando por reformas, a cadeia pública de Bariri (56 quilômetros de Bauru) voltou a receber presos. A preocupação agora é com uma possível lotação, já que apenas seis dias após sua reativação 77% das vagas já estão ocupadas.

A cadeia de Bariri tem capacidade para 26 presos, mas mal foi reativada e, até ontem, já abrigava 20 pessoas. O local tem quatro celas. Em princípio, cada uma delas é destinada a um perfil de preso.

A maior parte dos presos veio das cadeias de Barra Bonita e Igaraçu do Tietê. Depois de ter sido destruída durante uma rebelião em novembro do ano passado, quando 35 detentos colocaram fogo nos colchões, o local passou por reformas neste período.

Segundo o delegado seccional de Jaú, Antônio Carlos Piccino Filho, a cadeia não foi ampliada, mas passou por várias melhorias. Foi trocada toda a rede elétrica, as paredes foram rebocadas, o teto recebeu reforço e as celas ganharam nova pintura. Além disso, as grades e trancas foram automatizadas e o sistema de segurança, com câmeras, também foi modernizado.

De acordo com Piccino, a reforma na cadeia foi possível graças à parceria com a comunidade local, que também entrou com dinheiro, com a Prefeitura de Bariri e a Procuradoria do Estado, que forneceu o material.

O delegado conta que os funcionários da cadeia também ajudaram, inclusive, fazendo serviços de pedreiro. “Investigadores e carcereiros puseram a mão na massa para poder ajudar”, explica o delegado, que não soube precisar o valor total investido na obra, já que ela foi feita a toque de caixa, durante os últimos 10 meses.

De acordo com Piccino, as cadeias instaladas em cidades próximas a Jaú, desde que foi desativada a cadeia de Jaú, passaram a abrigar um número maior de presos do que sua capacidade permite.

O delegado lembra que a seccional de Jaú não está conseguindo vagas junto à Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) para transferir detentos da região de Jaú para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru. Ele alega que a promessa feita na época em que o CDP foi construído e a cadeia de Jaú desativada não estaria sendo cumprida.

“A dificuldade que estamos enfrentando em nossa região, e esta dificuldade vem trazendo este problema (de lotação), é no sentido de que a SAP cumpra aquilo que foi falado, que o CDP de Bauru volte a receber os presos da região de Jaú porque o Centro de Ressocialização (CR) de Jaú recebe os presos de Bauru. Então, estamos numa via de mão única”, critica.

Oito presos da cadeia de Barra Bonita e mais oito da cadeia de Igaraçu do Tietê foram transferidos para Bariri, após a reativação da cadeia. Isso, segundo o delegado, ajudou a liberar duas celas em cada uma dessas unidades. Essas celas abrigavam presos de baixa periculosidade.

Para Piccino, isso não significa, no entanto, um desafogamento populacional nestas cadeias. Ele lembra que as unidades de Barra Bonita e de Igaraçu do Tietê continuam abrigando número de presos maior do que deveriam. A capacidade de ambas é para até 48 presos. No entanto, a cadeia de Barra Bonita está com 52 detentos e a de Igaraçu do Tietê, com 80 presos.

O delegado explica que a intenção da Seccional de Jaú é fazer com que os detentos de baixa periculosidade sejam enviados para a cadeia de Bariri. Dessa forma, evitaria que os presos que cumprem pena temporária, por pensão alimentícia, por exemplo, ocupassem uma única cela já que, por lei, não podem estar confinados com detentos de alta periculosidade.