10 de julho de 2026
Cultura

‘Serpentes a Bordo’ tem pré-estréia hoje

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

“Serpentes a Bordo”. Precisa falar mais alguma coisa?

Dizem que o ator Samuel L. Jackson ameaçou deixar a produção quando o estúdio cogitou uma mudança no nome. Não houve mudança. O que aconteceu, na realidade, foi um fenômeno de expectativa e entusiasmo para esse longa de suspense com todo o jeitão de filme B, dirigido por David R. Ellis (“Premonição 2”) e que tem pré-estréia hoje no Multiplex Bauru Shopping.

Há mais de um ano, desde que as primeiras informações sobre essa produção da New Line Cinema começaram a aparecer, internautas do mundo todo vêm especulando a história em blogs, sites e grupos de discussão. Um dos mais famosos, o “Snakes on a Blog” (“Cobras em um blog”, www.snakesonablog.com), chegou a receber notificação do estúdio para mudar de nome ou seria processado.

Mas a Internet é incontrolável e a New Line acabou por tomar consciência de que ter um fenômeno cult nas mãos não é uma coisa que ocorre todos os meses. Em entrevistas, Samuel J. Jackson comentou que desde sua entrada na produção, vinha pedindo que o filme se tornasse o que os fãs esperavam. Ou seja: mais sangue, cobras maiores saltando no rosto das vítimas e mais palavrões em diálogos espertos. A frase “Eu estou cheio dessas p... de cobras nessa p... de avião”, pronunciada pelo ator com sua peculiar delicadeza, é prova de que as mudanças foram realizadas.

O filme, então, foi praticamente redesenhado pelos comentários nos sites e blogs. O elenco foi chamado de volta ao set para novas filmagens, que incluíram cenas abusadas de sexo – obviamente, interrompidas por uma serpente -, uma anaconda que esmaga lentamente uma vítima e mais closes de ataques das cobras. Tudo o que a indicação para maiores de 14 anos permite.

Na história, porque há uma, Jackson interpreta o agente do FBI Nelville Flynn (“Se você ficar comigo, você vive”), encarregado de acompanhar Sean Jones (Nathan Phillips) de avião até Los Angeles, onde vai testemunhar no que vem sendo chamado de “julgamento do século”. O rapaz presenciou um assassinato cometido no Havaí e, para mantê-lo de boca fechada, a máfia planta 450 cobras venenosas no vôo – se ele não for morto por uma delas, provavelmente o piloto será ou elas derrubam o avião destruindo algum maquinário.

Obviamente, é o efeito pós-11 de setembro. Colocar uma bomba ou terroristas assassinos no avião seria básico e relativo demais, até porque a segurança nos aeroportos continua rígida.

O conjunto de fatores no gênero “desastre de avião” – pânico, impossibilidade de resgate a curto prazo, espaços apertados e claustrofobia – foi agrupado pelos roteiristas John Hefferman e Sebastian Gutierrez e pelo diretor de forma a resultar em mais do que sua simples somatória, apesar dos personagens sem qualquer profundidade.

O resultado? Diversão. A coisa esquenta mesmo quando as serpentes passam a atacar a tripulação e os passageiros como se estivessem em uma missão pessoal de vingança às vítimas. Cada um recebe exatamente o “castigo” que merece dos ofídicos. E quando os sobreviventes ficam acuados com poucas “armas” a seu dispor, o filme explode nos diálogos mais venenosos.

A revista “Première” definiu porque “Serpentes a Bordo” é tão “assistível”: o filme é realmente divertido, realmente assustador, realmente nojento e Samuel L. Jackson é o cara que leva os sobreviventes – e o roteiro – até sua conclusão. E ele é o cara, simplesmente. O que nasceu como uma barca furada de nome funcional acaba como tudo o que um filme de ação despretensioso deve ser.