A revista eletrônica “Livrevista”, produzida por alunos do terceiro e quarto ano de jornalismo da Universidade Estadual Paulista (Unesp), foi uma das classificadas na categoria Revista Digital para a 13.ª Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação (Expocom), que começa hoje em Brasília. A revista dos estudantes concorre com mais três trabalhos do Brasil.
Os coordenadores do projeto, Andressa Silva e Maíra Soares, do terceiro ano, e Bruno Guerra e Diego Barbosa, do quarto ano, inscreveram o trabalho em junho deste ano, orientados pelo professor Luciano Guimarães. Com o resultado da seleção há 15 dias, a realização. “É ótimo saber que depois de três anos de trabalho obtivemos um reconhecimento. Mas o mérito disso são das meninas que assumiram a coordenação agora”, diz Bruno Guerra.
Idealizada há três anos, a revista eletrônica foi um meio dos estudantes de jornalismo, na época no primeiro ano, unirem teoria e prática. “Juliano Domingues de Almeida, hoje transferido para USP (Universidade de São Paulo) foi quem movimentou o pessoal. O primeiro ano era muito teórico, por isso queríamos produzir. Como o custo de um jornal impresso seria muito caro, a saída foi o site”, lembra.
No começo, o “Livrevista” contava com a participação de metade da sala, 20 alunos. Depois, com as dificuldades organizacionais e estruturais, o número foi reduzido a oito. Para angariar mais colaboradores, os alunos se abriram, em 2004, para a participação de estudantes do segundo e primeiro anos. “O corpo da reportagem aumentou, mas sempre tivemos um fluxo grande de entrada e saída de pessoas. Nosso controle estava na qualidade da produção”, enfatiza Guerra.
Em 2005, os estudantes receberam a orientação do professor Luciano Guimarães e cadastram o projeto junto ao Programa de Extensão Universitária, o Proex. “Quando resolvemos oficializar nosso projeto, a intenção era torná-lo um jornal laboratório para a disciplina de jornalismo digital do curso. Mas até agora isso não aconteceu”, lamenta.
Na revista, os internautas podem encontrar matérias locais de cultura, política, economia e saúde, produzidas por cerca de 30 estudantes. “Temos conhecimento das nossas limitações estruturais. Por isso, cobrimos acontecimentos que estão ao nosso alcance e que sejam do interesse do nosso público, que em sua maioria é universitário”, diz Guerra.
Experiência
O acesso à informação e a falta de recursos foram as maiores dificuldades apontadas por um dos idealizadores da revista eletrônica “Livrevista”, Bruno Guerra. “Como o site ainda não tem tanta credibilidade, muitas fontes não nos concedem reportagem, principalmente as tidas como importantes”, cita o estudante.
Além disso, todos os custos para as reportagens, como transporte e telefone, são financiados pelos próprios alunos. “Ocasionalmente, usamos o laboratório e a câmera digital da faculdade, mas não é nada formal. Os gastos maiores são por nossa conta”, diz Guerra.
Dos gastos, os estudantes conseguiram se livrar de um: a hospedagem. “Hoje o site está hospedado no servidor da faculdade, mas queremos voltar ao domínio ‘.com’, que sai por volta de R$ 45,00 por ano”, cita.
Mensalmente atualizado, a produção da revista segue o procedimento dos jornais convencionais, com reuniões de pauta, produção, revisão e diagramação. “Como a Internet é um meio muito novo, ainda não há um modelo instituído de jornalismo digital, por isso estamos aprendendo na raça”, coloca o estudante.
Aliás, o aprender fazendo foi a maior experiência tirada pelos estudantes com o trabalho. “Com a revista, vimos que as pessoas não podem ficar esperando que a universidade forneça todos os meios de aprendizado. É preciso se movimentar e fazer por si só”, aponta Guerra. O “Livrevista” pode ser acessado pelo site www.faac.unesp/br/extensao/livrevista.