10 de julho de 2026
Economia & Negócios

População ignora o PIB do Brasil

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Sempre invocado por políticos, economistas, empresários, imprensa e até intelectuais, o Produto Interno Bruto (PIB) tornou-se uma sigla conhecida por parte da população. Porém, normalmente é incompreendido. Depois que o IBGE divulgou, na semana passada, o crescimento de apenas 0,5% do PIB no segundo trimestre deste ano em relação aos três primeiros meses de 2006, o assunto foi submetido a todo tipo de análises.

Tanto “falatório”, no entanto, não foi capaz de aproximar o assunto de grande parte das pessoas. Conforme a reportagem constatou, o único reflexo direto dos dados divulgados recentemente sobre o PIB na vida de algumas delas não ultrapassa o constrangimento em assumir seu desconhecimento sobre o assunto.

Numa abordagem feita anteontem pela reportagem no Calçadão da Batista de Carvalho, 80% dos entrevistados não souberam explicar o que é ou para que serve o PIB. Aqueles com maior familiaridade, erraram ao apontar crescimento recorde do PIB, no último trimestre. Entre uma discrepância e outra, 30% das pessoas ouvidas pediram para não serem identificadas. O motivo é óbvio: ficaram encabuladas.

Emprego

Mas talvez eles não tenham motivo para tanto. “O que a pessoa comum quer é emprego e melhoria do poder de compra”, explica o delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo Cafeo. E nem sempre o crescimento do PIB está atrelado à redução dos índices de desemprego.

“Isso não é só no Brasil, mas no mundo inteiro. É o caso da Espanha. Está com quase 14% da população desempregada e é considerado o país que mais cresceu na Europa”, comenta Maximiliano Martins Vicente, professor de história dos cursos de comunicação da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Tanto para ele quanto para Cafeo, o crescimento do PIB deve vir acompanhado de distribuição de renda.

“Só crescer não quer dizer que tenha desenvolvimento econômico. O crescimento econômico é uma pré-condição (para melhorar a qualidade de vida). A China cresce na casa de 9% a 10 % ao ano, mas as condições de vida da população não melhoram. A renda fica na mão de meia dúzia. Na Índia também”, ressalta Cafeo.

De acordo ele, as coisas no Chile são diferentes. Com um crescimento na ordem dos 5,1%, a população vem sendo beneficiada com investimentos públicos.

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Expansão

Conforme o JC já divulgou, a economia brasileira registrou uma expansão de 0,5% no segundo trimestre em relação aos três primeiros meses deste ano, segundo dados divulgados na semana passada pelo IBGE. Trata-se do pior desempenho desde o terceiro trimestre de 2005, quando houve recuo de 1,2%.

O resultado fraco foi puxado pela indústria. No primeiro trimestre, o PIB teve avanço de 1,4%. No primeiro semestre, houve crescimento de 2,2% em relação ao mesmo período do ano passado e o crescimento anual foi de 1,7%.

Frente aos números, o mercado acredita que, neste ano, o Brasil cresça no máximo 3,43%. Já o governo prevê um indicador de 4%.

“A economia brasileira deve crescer 50% do que cresceu a média dos países. Isso porque temos a maior taxa de juros do mundo, a terceira maior carga tributária (próximo a 40% do PIB) e vivemos atualmente com um câmbio em que o real está supervalorizado. O Brasil não está aproveitando o bom momento da economia mundial”, afirma Cafeo.

Da Redação