09 de julho de 2026
Bairros

Cohab retomou 267 casas neste ano

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

A lista de inadimplentes da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) em Bauru e região é grande. Proprietários que não pagam suas prestações há anos são o alvo. Em março deste ano a Justiça determinou a reintegração de 350 imóveis para a companhia. Desse total, 82 já retornaram ao poder da Cohab e 185 já tiveram sentença proferida e serão retomados – 48 deles são em Bauru. O restante, 83, ainda estão em trâmite.

O número de imóveis reintegrados durante os nove meses desse ano já ultrapassou o total do ano passado, quando 175 casas foram retomadas em Bauru e região. Segundo o presidente da Cohab, Edison Gasparini Júnior, a companhia não constrói nada na cidade há 12 anos e a fila de espera por um imóvel já chega a 5 mil pessoas. “Em breve, 48 bauruenses serão beneficiados com as ofertas que irão surgir na cidade a partir da reintegração dos imóveis”, revela o presidente.

A inadimplência resulta em prejuízo para a Cohab, que independentemente da inadimplência, tem a obrigação de manter os repasses à Caixa Econômica Federal - responsável pelo financiamento. “Se o mutuário não paga, eu tenho que pagar. Se eu deixar de depositar o dinheiro posso responder por improbidade”, revela Gasparini.

Segundo o presidente, legalmente a Cohab poderia entrar com processo de reintegração de imóveis a partir de três meses de inadimplência. No entanto, apenas devedores antigos estão sendo procurados. “Estamos retomando casas de mutuários que não pagam as prestações há mais de seis anos”, revela.

Gasparini afirma que, apenas em Bauru, existem mil mutuários com mais de cinco parcelas em débito. O número chega a 5 mil, somando-se aos inadimplentes da região.

A reintegração acontece em última instância. “Todos os devedores são chamados para renegociar. Propomos alternativas, como parcelamentos. Mas sempre de acordo com as regras do Sistema Financeiro da Habitação. Caso não haja acordo, entramos com a ação”, explica o presidente.

“Não é nenhuma injustiça tirarmos a casa de quem não cumpre com suas obrigações há anos e redirecioná-la para quem paga aluguéis altos e precisa de um imóvel próprio”, completa Gasparini.

Sonho realizado

Nem mesmo a condição precária do imóvel impediu que a aposentada Maria de Lourdes da Silveira adquirisse um casa, do Núcleo Mary Dota, reintegrada pela Cohab neste ano. “Ela ficou vazia durante muito tempo e estava bem ruim. Roubaram a fiação, cortaram a luz e danificaram algumas portas e janelas. Mesmo assim compensou”, afirma.

De acordo com a aposentada, ela irá até economizar dinheiro. “Para mim compensou muito. O valor do meu aluguel é muito mais alto do que a prestação que eu irei pagar”, revela Maria de Lourdes, que pretende sair da Vila independência e se mudar para a casa própria em 15 dias.

O sonho da casa própria parecia ser distante para ela. “Hoje sou avó e não tenho fonte de renda. Pesquisei muitas casas, mas não conseguiria uma através do financiamento da Caixa”, afirma.

“As pessoas podiam deixar de pagar as prestações. Acho que a Cohab é paciente demais até. Já soube de casos em que a Caixa retomou o imóvel de uma pessoa que não pagou três prestações”, completa.