10 de julho de 2026
Geral

18 mil enfrentam frio para ver desfile

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Nem mesmo o frio da manhã de ontem conseguiu desanimar o público que foi ao Sambódromo Municipal de Bauru assistir ao desfile de Sete de Setembro. Durante as quase três horas de evento (das 9h20 ao meio-dia), cerca de 18 mil pessoas presentes no local (dados da Polícia Militar) puderam presenciar exibições militares e civis, tudo animado pelo som das tradicionais fanfarras e bandas marciais.

A temperatura de 12 graus, registrada no início do desfile pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (Ipmet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), foi responsável por uma ausência importante no palanque de autoridades: gripado e com febre alta, o prefeito de Bauru, Tuga Angerami (sem partido), não pode comparecer à parada.

Ele teve de ser representado pela secretária municipal de Educação, Ana Maria Lombardi Daibem. Além dela, estiveram presentes o secretário de Esportes e Lazer de Bauru, Edison Moraes Maitino, e o delegado Luiz Henrique Fernando Cazarini, da Delegacia Seccional de Bauru, sem contar o vice-cacique da aldeia Ekerua de Avaí, Júlio César Terena.

O frio que atingiu a cidade no Dia da Pátria não foi prejudicial apenas ao prefeito municipal. As baixas temperaturas provocaram quedas nas vendas de diversos ambulantes que estavam no local. O sorveteiro Antônio Caetano de Carvalho, 58 anos, havia vendido 50 sorvetes das 9h ao meio-dia.

O número pode parecer grande, mas em dias de calor costuma ser bastante superior. “Se não fosse esse frio teriam saído uns 250 picolés, no mínimo”, lamentava. Enquanto alguns ambulantes reclamavam das baixas temperaturas, outros mostravam-se satisfeitos. Maria Eunice da Mota Vezoni havia vendido 20 algodões-doces até a metade do desfile, por volta das 10h40. “Esse tempo faz as pessoas comprarem mais doces”, disse ela, que também comercializava cata-ventos no local.

Vezoni parecia estar coberta de razão, pois ao final do desfile, quando as temperaturas já estavam na acima dos 16 graus no Sambódromo, ela quase não encontrava clientes, contentando-se em assistir a apresentação das últimas escolas que participavam da parada cívica.

O desfile

A parada do Dia da Pátria, que estava prevista para começar às 8h45, contou com um atraso de aproximadamente 30 minutos. A abertura do evento ocorreu apenas às 9h20, com o asteamento das Bandeiras do Brasil, do Estado de São e de Bauru, ao som do Hino Nacional, executado pela Banda da PM.

O desfile foi iniciado logo depois, com a apresentação dos veteranos brasileiros da Segunda Guerra Mundial. A trilha sonora escolhida para os soldados do passado foi a marcha “Paris Belfort”, adotada como música-tema pelas forças paulistas, durante a Revolução de 1932. Em seguida, as exibições mesclaram militares do passado e do presente, com participação tanto de soldados da ativa, como recrutas do Tiro de Guerra e os pioneiros da PM. O aparato das forças militares também foi usado para entreter as pessoas que estavam no local.

Viaturas da Polícia Civil, jipes do exército e carros de bombeiro desfilaram sobre aplausos da multidão presente. O ápice da exibição ocorreu quando o helicóptero Águia da PM realizou vôos rasantes sobre o Sambódromo.

O desfile cívico, que se seguiu ao militar, teve como ponto alto as apresentações das bandas da escola Liceu Noroeste e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Bauru, (Senai), sobretudo durante a execução de temas famosos, como “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso.

Rosmar dos Santos, de 56 anos, estava emocionado durante a exibição dos músicos do Senai. “Fiz curso de marceneiro lá e ver essa apresentação me deixa orgulhoso”, diz ele. Mas a parada cívica não se restringiu às bandas.

O desfile em Bauru teve capoeiristas, escoteiros e lutadores de kung-fu. Até os garis da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) tiveram chance de ser aplaudidos pelo público. Outros que também marcaram presença no evento foram os índios terena de Avaí (cerca de 40, entre adultos e crianças).

Alício Lipo, vice-diretor da escola da aldeia, estava satisfeito com o fato de seu povo estar presente no desfile do Dia da Pátria em Bauru. “Para a comunidade indígena essa integração é muito importante, pois permite que divulguemos nossa cultura ao restante do País”, acredita.