09 de julho de 2026
Nacional

Bolívia não pode cumprir contratos de gás

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O presidente da Petrobras Bolívia, José Fernando de Freitas, afirmou ao jornal boliviano “La Razón” que o país vizinho não tem condições de realizar os investimentos necessários para cumprir os contratos de fornecimento de gás já assinados com Brasil e Argentina.

Hoje a Bolívia fornece 26 milhões de metros cúbicos de gás por dia ao Brasil de um contrato que prevê alcançar até 30 milhões de metros cúbicos. Já para a Argentina o fornecimento é de 4,5 milhões e o contrato prevê até 7,7 milhões. “Se todos os mercados pedissem os volumes máximos, e estamos próximos disso, a Bolívia não teria capacidade para entregá-los”, disse Freitas.

Ele também afirmou que a Petrobras busca “fontes alternativas de fornecimento” de gás para o Brasil e que não vai fazer os investimentos necessários para ampliar a capacidade de produção na Bolívia. “As ações da Bolívia (que nacionalizou as reservas de petróleo e gás) geraram no consumidor do gás boliviano no Brasil uma desconfiança sobre o fornecimento”, afirmou. “E quem vai fazer investimentos no marco (regulatório) que temos hoje? Seguramente não será a Petrobras.”

A empresa espera manter na Bolívia apenas o fornecimento de até 30 milhões de metros cúbicos de gás por dia que já está previsto. O executivo disse que deve ser adiada indefinidamente a construção de um pólo gás-químico na fronteira entre Brasil e Bolívia que representaria investimentos de US$ 1,5 bilhão. Já a ampliação do fornecimento de gás para 45 milhões de metros cúbicos diários, que também já estava prevista, consumiria mais US$ 1 bilhão em investimentos, já que a Petrobras teria que construir novas plantas de processamento e exploração e ampliar a capacidade de transporte.

A Petrobras também poderia participar do aumento do fornecimento de gás para a Argentina por meio do Gasoduto Noroeste Argentino, projeto que também estava em negociação. O executivo disse, no entanto, que Brasil e Bolívia mantêm negociações, que não há uma decisão final e que o ministro Silas Rondeau (Minas e Energia) vai à Bolívia para se encontrar com autoridades locais no próximo dia 15.

O presidente da Petrobras Bolívia, entretanto, voltou a descartar aumentos no preço do gás do país vizinho que não estejam previstos em contrato. “A posição da Petrobas tem sido de escutar as reivindicações da YPFB (estatal de petróleo da Bolívia), analisá-las e devolvê-las com a resposta de que há espaço para nenhuma alteração no processo de reajuste de preços estabelecido no contrato vigente”, afirmou.

Sobre a transferência dos ativos da Petrobras para o controle do Estado boliviano, medida que está prevista no decreto que nacionalizou as reservas de hidrocarbonetos, Freitas disse que as negociações com a YPFB estão paralisadas há mais de dois meses. Ele afirmou, entretanto, que a Petrobras espera ser indenizada pela Bolívia pela transferência de ações de suas empresas.

O valor dos ativos ainda não foi definido e a empresa defende que seja contratada uma instituição independente para fazer a avaliação. A Petrobras também informou que deseja vender 100% de suas ações na Bolívia a não ser que possa continuar manter o sistema de gestão de suas refinarias e suas operações técnicas.