Nova York - A admissão do presidente dos EUA, George W. Bush, de que a CIA mantém prisões secretas no Exterior e de que Washington pretende manter tal política atraiu críticas de governos e organizações internacionais. Congressistas europeus exigiram ontem que países suspeitos de colaborar com a inteligência norte-americana revelem a localização dos centros ilegais.
O premiê espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, que retirou suas tropas do Iraque ao assumir poder declarou que a manutenção de prisões secretas é incompatível com Estado de Direito.
Sem citar diretamente os EUA, o francês Dominique de Villepin criticou o uso da expressão “guerra ao terror” - sempre citada por Bush e repetida anteontem, quando ele reconheceu a existência das prisões. “Contra o terror não é de guerra que se precisa, mas, como a França tem feito, de uma luta determinada, baseada na vigilância constante.” O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que o combate ao terror não pode ser feito com afrontas aos direitos humanos. “Se somos instados a desistir de nossos direitos para nos protegermos do terror, que proteção teremos no final?”
Integrantes do Parlamento Europeu criticaram a suposta colaboração de países do continente. “A localização desses centros de detenção tem de ser tornada pública”, disse o alemão Wolfgang Kreissl-Doerfler, do comitê do Parlamento Europeu que investiga o caso.
Para a deputada britânica da União Européia Sarah Ludford, Bush expôs não apenas as mentiras anteriores. “Ele expôs ao ridículo esses governos europeus arrogantes que caracterizaram de infundados nossos temores”, disse. Relatório do Conselho da Europa concluiu que muitas das detenções ilegais ocorriam em países do Leste Europeu.