Um capítulo à parte das brigas judiciais. Percebendo os anseios da população bauruense de que a memória do Bauru Atlético Clube (BAC), o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac) arregaçou as mangas e procurou os novos proprietários. Os pedidos são de que sejam construídos um memorial, um mosaico de fotos e uma sala de exposição de troféus e consulta sobre a história do clube.
“Se depender dos esforços do Codepac, a memória do BAC não irá se acabar. Nós estamos bem sensíveis a isso”, afirma o presidente do Codepac Henrique Perazzi de Aquino. Segundo ele, nos contatos entre o conselho e os novos proprietários da área – Grupo Tauste, dono de uma rede supermercados em Marília – ficou subentendido que a empresa está inclinada a manter viva a história do clube.
“Tomamos a iniciativa de procurá-los para saber se existia algum interesse da parte deles em preservar alguma coisa que lembrasse o BAC e nós fomos muito bem recebidos. O que sentimos é que irão fazer alguma coisa para que o empreendimento que eles levantarem no local lembre o BAC”, revela Perazzi, que irá se encontrar novamente com representantes do grupo até o final deste mês.
Os pedidos feitos remetem à criação de um mosaico lembrando a história do clube, nos moldes daquele levantado no Hotel Central, na rua 1º de agosto; um memorial, que poderá ser um monumento que lembre o dentro da edificação; e uma sala de troféus que ficará aberta para permanente visitação, com consulta de livros sobre a história do BAC.
De acordo com o presidente do Codepac, existe ainda a possibilidade, levantada durante as conversas com dirigentes do grupo, de que as cores do clube (azul e branco) sejam usadas na pintura do prédio e uniformização dos funcionários. Outra possibilidade é que o nome do provável supermercado que será construído se chame Tauste BAC.
Perazzi afirma ter grande apreço pelo clube. “Tenho laços familiares com o BAC. Eu fui sócio por muitos anos. Meu tio trabalhou lá por mais de 40 anos como porteiro. Mas não podemos impedir que novos empreendimentos contribuam com o progresso da cidade. Se tombássemos o prédio e impedíssemos a viabilização desse projeto, o que aconteceria? Por quantos anos o prédio ficaria fechado?”, indaga.
“Nós não conseguimos manter a memória do BAC preservada na sua edificação, mas creio que, com essas medidas, conseguiremos garantir a preservação para sempre de uma boa parte da memória”, encerra o presidente do Codepac.
Tombamento
Segundo Perazzi, em sua última reunião ordinária, realizada no último dia 30, O Codepac decidiu iniciar oito processos de tombamento.
Os prédios serão: Oficinas da Noroeste do Brasil e Rotunda, Casa da Família Quággio, Prédio Principal do Instituto Penal Agrícola, Carrilhão do Santuário Nossa Senhora Aparecida, Fachada externa do antigo CAT/Sementeira – futuro Poupatempo, Mosteiro da Imaculada Conceição e a Roda dos Enjeitados (Roda dos Inocentes) e o Coreto da Praça Rui Barbosa e Chaminé da antiga fábrica Antarctica.