Reggio Calábria - A Seleção Brasileira Feminina de Vôlei está a duas vitórias do hexacampeonato do Grand Prix. Ontem, a equipe do técnico José Roberto Guimarães superou o Japão por 3 sets a 1 (23/25, 25/22, 25/16 e 25/17), no ginásio Palacalafiore, em Reggio Calábria (ITA). Com o resultado, o Brasil garantiu o primeiro lugar do Grupo B e disputará uma vaga na final hoje, contra Cuba, às 9h30 (de Brasília).
Para Zé Roberto, o time pecou principalmente nos contra-ataques. “Tivemos uma quantidade de erros grande nos contra-ataques, foram 30 no total. Isso fez com que o Japão criasse força no primeiro set. Mas também foi mérito delas, que souberam jogar taticamente. Nosso time conseguiu retornar ao jogo e melhorar, principalmente na relação saque/bloqueio/defesa. Mesmo assim, ainda perdemos alguns contra-ataques no quarto set”, diz o treinador brasileiro.
O Brasil não começou bem o primeiro set. A equipe cometeu muitos erros e viu seus ataques esbarrarem na eficiente defesa e no bom bloqueio do Japão. Depois de estarem perdendo por 17/13, as brasileiras diminuíram a desvantagem para apenas um ponto (18/19). Mas a reação no fim não foi suficiente para evitar a derrota por 25/23.
“Jogar contra times asiáticos é sempre difícil. Perdemos muitos contra-ataques no início e nosso passe também não saiu. Mas o primeiro set serviu de alerta. Mostrou que todo mundo está aqui para ganhar. Se vacilarmos, corremos risco”, diz a líbero Arlene.
No segundo set o Brasil melhorou, principalmente no bloqueio, mas ainda sofreu para superar as japonesas. Com um ponto de Sheilla, maior pontuadora do jogo, com 20 acertos, o time de José Roberto Guimarães fechou em 25/22 e empatou a partida.
No set seguinte o Brasil mostrou como chegou invicto à fase final do Grand Prix. Com o bloqueio chegando em várias bolas e bom aproveitamento no saque, o time verde-amarelo chegou a ter 12 pontos de vantagem (21/9). Apesar de um momento de desconcentração no fim, um ponto de Fabiana encerrou a parcial em 25/16.
No quarto set o Brasil, apesar de não ter jogado seu melhor voleibol, novamente conseguiu impor seu ritmo. Pressionadas, as japonesas passaram a errar mais e, com um ponto de Sheilla, as brasileiras venceram o set por 25/17 e fecharam o jogo em 3 a 1. “O Japão é um time que se adapta fácil ao jogo do adversário. Não esperávamos tanta resistência, mas serviu como mais um teste. O bloqueio e a defesa delas foram mais eficientes do que nas outras partidas contra nós. Mas aos poucos conseguimos encaixar nosso jogo e conquistar mais uma vitória. Agora é esquecer essa partida e entrar de cabeça na semifinal”, diz a meio-de-rede Walewska.
Cubana brasileira
Para o duelo contra Cuba, a Seleção aposta na mais cubana de suas atletas. Negra, 1,93m, 76 kg, bloqueio bem armado que atinge 3,14m e ataques potentes. Fabiana poderia facilmente estar do outro lado da quadra hoje. Não está. Ciente do potencial da pupila, José Roberto Guimarães, desde o início de seu trabalho na Seleção, em 2003, tratou de lapidar o talento da meio-de-rede.
Faltavam postura no bloqueio e mais velocidade no ataque. É o próprio treinador quem costuma comparar o biótipo e o jogo de Fabiana ao das arqui-rivais cubanas. O resultado salta aos olhos neste Grand Prix. Titular incontestável, ela é a melhor bloqueadora do Brasil - um ponto por set, em média. Aparece também como a segunda atacante mais eficiente, atrás apenas da oposto Sheilla - aproveita 52,94% de seus ataques.