09 de julho de 2026
Nacional

Carta de FHC gera polêmica e críticas

Por Clarice Spitz | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) procurou rebater ontem parte das críticas feitas em carta aberta pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que afirmou faltar “condições morais” para o petista. O tucano também disse que Lula transformou os programas federais de assistência social de “direito do cidadão” em “benesse do papai-presidente”.

Lula afirmou que alguns setores da sociedade ficam “incomodados” pelo volume de recursos destinados aos programas sociais em seu governo. “Saímos de R$ 7 bilhões, que se gastavam com políticas sociais nesse país, para R$ 23 bilhões. (Tem gente que acha) que tem muito mais coisa para se fazer do que cuidar de pobre. Eu acho que não tem nada mais sagrado que um governo gastar com seus filhos”, disse ele, em ato onde recebeu apoio formal de uma associação de pastores e bispos da Assembléia de Deus, maior igreja evangélica do País.

Evangélicos

O presidente relembrou sua relação com os evangélicos e aproveitou para fazer uma crítica indireta a seu antecessor no Planalto. Segundo Lula, havia um presidente, “eleito com o apoio dos evangélicos”, mas que tinha vergonha dessa relação e que somente se reunia com os religiosos “à noite”. “Tem gente que tem vergonha. Estudo tanto, que acha que estar do lado de evangélico é atraso”, disse ele, numa provável referência ao fato do ex-presidente FHC ter doutorado.

“Eu aprendi uma coisa com minha mãe. Relação de amizade é uma coisa sagrada. A gente aprende a conhecer um homem e uma mulher não apenas pelo que ela fala. É olho no olho. Nada diz mais verdade do que o olhar de um ser humano”, afirmou ele.

O presidente Lula pode unificar o apoio dos líderes da Assembléia de Deus, hoje divididos em pelo menos duas grandes associações: a Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil, que em princípio apóia o PSDB, e a Convenção Nacional das Assembléias de Deus - Ministério Madureira, do qual recebeu apoio formal ontem no Rio de Janeiro.

A Convenção Geral já sinalizou que pode retirar seu apoio ao candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin.

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Mercadante: angústia

Bauru - O senador Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo de São Paulo, respondeu com ironia à carta aberta de Fernando Henrique Cardoso. Segundo Mercadante, FHC está angustiado por não ter espaço nos palanques dos candidatos tucanos. “Eu entendo a angústia do Fernando Henrique Cardoso. Ele governou o Brasil por oito anos e nenhum candidato do PSDB quer ele no palanque”, afirmou o petista, que esteve anteontem em Bauru (343 quilômetros de São Paulo).

“Até pensei em dar um tempo do meu horário gratuito para ver se ele podia falar um pouquinho, para alguém defender o governo dele, já que ninguém faz”, disse Mercadante. “Outro dia ele disse que teria que tocar fogo no palheiro. Eu acho que quem tem rabo de palha não deveria brincar de piromaníaco”, continuou. “Ninguém presta atenção no que ele fala. Nem eu.”