09 de julho de 2026
Politicando

Aulas podem custar até R$ 2.580,00 em 14x

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 6 min

Valor permite que alunos dos cursos tenham acesso a conhecimento básico na profissão, como corte de cabelo, penteados e tinturasAssim como no caso dos salões de beleza, o universo que envolve as escolas para formação de profissionais da área de beleza também é diverso. As diferenças começam pelos preços, que variam de R$ 1.080,00 a R$ 2.580,00. Ambos os valores são referentes a cursos completos, com um ano de duração.

Luiz Carlos da Silva é proprietário da escola que pratica o primeiro dos preços citados - que por sinal, pode ser dividido em até 12 vezes, como modo de facilitar o pagamento pela parte dos alunos. “Quem freqüenta o curso sai daqui conhecendo o básico da profissão”, explica ele, que já foi operador de máquinas nos Correios e ensina a profissão de cabeleireiro há dez anos.

Cláudia Soares Mendes também leciona o básico para pessoas interessadas em atuar no ramo da beleza e pratica o segundo dos preços mencionados – que pode ser pago em até 14 prestações iguais.

Na concepção tanto dela quanto de Silva, esse básico equivale ao mínimo que um profissional precisa conhecer para atuar na área, ou seja, saber como cortar um cabelo, realizar um penteado básico ou fazer tratamentos simples com produtos químicos, como tinturas, por exemplo.

/Se o conteúdo é semelhante, os métodos diferem: enquanto Mendes é adepta das aulas teóricas, Silva prefere partir direto para a prática. Como não poderia deixar de ser, cada educador defende o modo de ensino que adota.

“Meu método é diferente, pois aqui o aluno já começa cortando cabelo”, diz ele, que acredita que a prática (feita com pessoas que se oferecem para ter o cabelo cortado de modo gratuito pelos estudantes) é a melhor maneira para aprender-se algo.

Mendes tem opinião diferente. Em sua escola os estudantes recebem aulas teóricas antes de pegarem na tesoura. “Faço isso a cada nova técnica que ensino e, caso o aluno considere necessário, dou explicações extras”, diz Mendes, que tem diploma no curso superior de pedagogia.

Com políticas de preços e métodos de ensino diversos, as duas escolas têm em comum o fato de serem muito procuradas por pessoas de Bauru e região. Silva garante ter formado mais de 2.000 cabeleireiros nos últimos dez anos, enquanto Mendes conta com 60 alunos atualmente.

Os perfis das pessoas que freqüentam as duas escolas também variam. Vânia Franco de Godoy e Allan Douglas Capriolli Bueno querem ser cabeleireiros. Ela vive em Ibitinga, cidade localizada há cerca de 90 quilômetros de Bauru, e estuda na escola de Mendes, ao passo que ele freqüenta o curso de Silva e mora em Bauru, na Vila Nova Esperança.

Bueno, que tem 18 anos de idade e é solteiro, não escolheu a profissão de cabeleireiro por acaso, pois seu pai já trabalhava no ramo. “Cresci nesse meio e acabei pegando gosto pela coisa”, diz ele, que pretende diversificar os negócios oferecidos pelo salão que a família tem no Centro da cidade, atualmente restritos ao corte de cabelo.

Já Godoy, que tem 30 anos e é casada, não tinha qualquer ligação com a área, uma vez que passou 14 anos (até a idade de 28 anos) costurando bordados para ganhar a vida. “Achei que seria uma profissão boa de se trabalhar, por isso resolvi sair do emprego para poder freqüentar o curso”, explica ela, que tem intenção de montar um pequeno salão na frente de casa, onde também irá vender folheados para completar a renda da casa.

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Esteticista

O curso de técnico de esteticista do Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (Senac) é outra opção para quem deseja seguir carreira no ramo da beleza. A entidade tem três turmas em andamento, com 18 alunos cada. O curso tem duração de dois anos e é divido em quatro módulos.

Nos dois primeiros, os alunos têm acesso a conhecimentos básicos de anatomia, fisiologia e cosmetologia. No terceiro, as aulas são voltadas para face, e os estudantes aprendem procedimentos como limpeza, hidratação e nutrição de pele, além de drenagem linfática e tratamentos para espinha e de rejuvenescimento.

No quarto módulo, voltado ao corpo, são ensinadas técnicas de combate à celulite, flacidez e estrias. O último modo, por fim, é voltado para a gestão de negócios na área de estética.

O valor do curso (que pode chegar a R$ 6.601,00, nos cursos noturnos) é alto, quando comparado às escolas de cabeleireiros (a mais cara cobra pouco mais de R$ 2.500,00 por um ano de curso), mas pode ser dividido em até 23 parcelas.

O retorno financeiro da carreira, porém, pode ser promissor. “Conheço pessoas formadas na área que estão ganhando R$ 2.500,00, aqui em Bauru”, garante Roseli Mara Zanardo, que é professora do curso.

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Precursor

Quando o assunto é cabelo, ele é o mestre do assunto em Bauru. Aos 67 anos, Sebastião Ferreira de Souza carrega o título de mais antigo cabeleireiro da cidade. “Seria melhor se eu fosse o mais novo, assim eu continuaria sempre jovem”, brinca ele, do alto de seus 49 anos de profissão, dos quais 40 foram desenvolvidos em Bauru.

Engana-se quem pensa que a autoridade de Souza (que é conhecido na cidade apenas por Sebastião) emana apenas de seu tempo de serviço. Ele foi o responsável pela instalação da primeira escola de cabeleireiros da cidade, a Oásis, em 1963.

“Eu já vinha trabalhando em salões da Capital desde 1959, mas sonhava em montar um lugar onde pudesse passar meus conhecimentos a outras pessoas”, conta.

Nascido em Arapongas, no Paraná, onde trabalhou durante dois anos como barbeiro, Sebastião não tinha qualquer ligação com Bauru, e talvez jamais tivesse vindo parar na cidade se não fosse uma conversa entre ele e um amigo, dono de uma loja de produtos de beleza.

“Comentávamos a respeito dessas idéias, quando ele me falou que Bauru era uma cidade em franca expansão , que poderia comportar uma escola de cabeleireiros. Achei interessante e resolvi arriscar”, lembra.

Durante os dez anos que manteve sua instituição de ensino (entre 1963 e 1973), Sebastião formou mais de 2.000 pessoas de Bauru e região. Nesse período, ele ainda encontrou tempo para montar seu salão de beleza na avenida Rodrigues Alves e casar-se, em 1965, com Luzia Toma, com quem namorava desde a época em que esteve em São Paulo.

O casamento prosperou junto com o salão, tanto que Sebastião foi obrigado a desfazer-se da escola, por falta de tempo para conjugar as duas atividades. Se no começo de suas atividades em Bauru o cabeleireiro atendia uma clientela de perfil mais simples, hoje seus clientes (mulheres na maioria) são quase todos de classe alta e média alta.

“Elas são o ‘top’ do público de salão de beleza da cidade”, diz ele, que cobra R$ 40,00 por um corte de cabelo e tem clientes agendadas para outubro do ano que vem.