09 de julho de 2026
Ser

Terapeuta escreve livro sobre madrastas

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 2 min

Na adolescência, a terapeuta familiar paulista Roberta Palermo viveu com seu pai e precisou conviver com uma madrasta nada simpática. Quatro anos mais tarde teve a oportunidade de morar com seus primos e fazer parte de uma família organizada e unida. Mãe de Pedro, 4 anos, fruto de uma união que dura 11 anos, ela possui dois enteados, Amanda e Lucas, e desde que iniciou sua experiência como madrasta passou a registrar os acontecimentos e lembranças. Em 2002, decidiu reunir este material e lançou o livro “Madrasta – Quando o homem da sua vida já tem filhos” (Editora Mercuryo).

Baseada em sua experiência pessoal, a obra de Roberta busca quebrar o estereótipo da madrasta tirana e egoísta, imagem personificada nos contos de Cinderela e Branca de Neve e que até hoje está presente no imaginário popular. Para isto, mostra os conflitos e dificuldades de convivência entre madrastas e enteados e também aponta algumas alternativas e soluções para estabelecer um bom relacionamento familiar (leia mais no quadro).

De acordo com ela, um dos problemas mais comuns é o boicote da ex-mulher, que pode falar mal e atrapalhar o contato do filho com a madrasta. Abusar de inteligência e paciência ajuda muito nestas situações, diz Roberta.

“Se a criança chega em casa e chama a madrasta de chata ou a trata mal, ela não pode entrar na onda infantil. Nesta hora, o correto é a intervenção do pai. Ele deve dizer ao filho que não precisa participar ou conversar contra sua vontade, mas nunca deve ser mal-educado”, diz. “Mas se a criança provoca e a madrasta retruca, ela acha que sua mãe tem razão”, ressalta.

Não raramente, observa a terapeuta, mesmo sem interferência da ex-mulher, o enteado – principalmente na fase infantil – pode se mostrar arredio em relação à presença da madrasta. Na maioria das vezes, quando isto ocorre, observa, a criança está insegura e, novamente, a intervenção do pai é indispensável.

“Ele precisa explicar que se separou da mãe e reforçar que isto não muda em nada seu amor pelo filho. Às vezes ele tem esperanças que os pais voltem e não elaborou o divórcio ou está insegura porque ninguém explicou nada a ela. É preciso de uma estrutura e a base principal é o pai”, reforça.

No mesmo ano em que lançou o livro, Roberta fundou a Associação das Madrastas e Enteados (AME), cujo objetivo é reunir madrastas, enteados, pais e pessoas envolvidas no assunto para dividir experiências. No site da entidade (www. madastra.hpj.com.br), há um fórum onde os visitantes podem conversar diariamente, tirar dúvidas e compartilhar angústias e soluções, aponta a terapeuta.