10 de julho de 2026
Política

Rigor pós-atentado constrange turistas

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Cinco anos se passaram, mas o tempo não cicatrizou a ferida aberta pelos atentados contra as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, em 11 de setembro de 2001. Ainda hoje, turistas do mundo todo são cuidadosamente revistados ao entrar e sair dos Estados Unidos. Bauruenses que estiveram lá recentemente contam que o rigor dos americanos é tanto que tiveram de ficar quase nus para poder entrar no país.

As medidas de segurança tomadas pela Polícia Federal americana, na tentativa de evitar novos ataques como aqueles feitos em 11 de setembro de 2001, além de constranger os turistas, estão atrasando a concessão de vistos para os Estados Unidos.

Durante uma viagem recente aos Estados Unidos para visitar as filhas que estão em Boston, o bancário aposentado Erik José Braga das Neves e a esposa, Noêmia, sentiram na pele, de forma bem radical, o rigor dos americanos com os turistas que desembarcam no país.

Eles contam que depois de responder a um questionário interminável foram cuidadosamente revistados. Ao passar pelo detetor de metais, Erik foi barrado diversas vezes. Em todas, o alarme soava e ele foi obrigado a ir se desfazendo da roupa, peça por peça, até ficar só de cuecas. “Eu não tinha nada. Só podia ser a eletricidade estática do organismo”, diz. O corpo humano acumula esse tipo de eletricidade quando está em movimento ou ao tocar em algum material carregado dessa força.

O casal já desembarcou em diferentes aeroportos americanos. Segundo Erik, seja em Nova York, Miami, Atlanta ou Dallas, o rigor na revista dos turistas estrangeiros ou mesmo americanos é o mesmo.

Elek conta que, antes dos atentados, a revista era feita por amostragem, ou seja, nem todos eram revistados. Agora, ninguém escapa. Na primeira viagem que a filha mais velha, Andréia, fez dos Estados Unidos para o Brasil, após os ataques terroristas, foi possível notar como as coisas haviam mudado.

Tudo o que ela tinha na bolsa e na mala de mão foi jogado em cima de um balcão sem nenhum cuidado ou cerimônia. Esse rigor na fiscalização, segundo Erik, aumentou também no Brasil. As pessoas são revistadas ao embarcar, quando chegam nos Estados Unidos e ao retornarem.

Já o relacionamento dos brasileiros com o povo americano continua o mesmo, segundo ele. “Nós nunca tivemos problemas. Sempre fomos respeitados e bem tratados. Mesmo depois dos ataques”, relata.

Bem recebida

Essa constatação é confirmada por uma professora bauruense de 46 anos que viajou para a Filadélfia no mês passado. “Fui muito bem recebida”, declarou ela, que pediu para não ser identificada.

“Quem quer entrar nos Estados Unidos tem de se submeter (às regras pós-atentado). Caso contrário, é imediatamente mandado de volta para casa”, diz.

Submeter-se às regras americanas significa responder a todas as perguntas que são feitas no aeroporto, colher impressão digital, tirar fotografia, o sapato, o casaco, deixar a bolsa ser revirada, entre outras exigências. “Apesar de todo esse rigor, ainda vale a pena viajar”, afirma a professora.

Segundo ela, policiais à paisana se misturam aos passageiros para tentar evitar seqüestro de aviões ou qualquer outro ato terrorista. A conseqüência de tudo isso, na avaliação dela, é um sentimento de maior segurança durante os vôos.

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Turismo

Apesar da tensão e do rigor que existem hoje para viajar aos Estados Unidos, a procura por pacotes para cidades americanas não diminuiu. A informação é de Adriana Gabriele, da agência de turismo Degabriele Lufthansa City Center, que tem lucrado com a baixa cotação do dólar. “Os vôos estão lotados”, afirma ela.

“A segurança está mais rigorosa, mas isso não está impedindo as pessoas de viajarem”, comenta. Segundo Adriana, a maior dificuldade está em conseguir o visto para a viagem. Hoje, as entrevistas para obter essa autorização só estão sendo agendadas para dezembro.

“No começo, realmente houve uma queda (na venda de pacotes), mas depois voltou ao normal”, diz Adriana. A principal reclamação dos turistas brasileiros, segundo ela, é ter de tirar a roupa durante a revista pessoal. Quanto a uma possível rejeição dos americanos ao turista estrangeiro, Adriana diz que a preocupação maior é com as pessoas que saem de países como o Líbano, Síria, Irã e Iraque, por exemplo. Com o brasileiro, em geral, não mudou.