09 de julho de 2026
Política

Descendente árabe acha difícil voltar aos EUA

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

O rigor na fiscalização dos turistas, além de constranger e atrasar a concessão de novos vistos, diminui a cada dia que passa as esperanças de algumas pessoas de desembarcarem naquele país.

É o caso de Ali El Samad, que completa hoje 37 anos. Filho de pai libanês e mãe brasileira, ela nasceu em São Paulo e está em Bauru desde 1993. Pouco antes de vir para cá, Samad permaneceu por três anos em Nova York, onde estudou publicidade. Depois dos atentados, ele acredita que suas chances de retornar aos Estados Unidos diminuíram bastante.

O nome árabe e a data de nascimento, na opinião dele, são dois bons pretextos para que o pedido de visto de entrada no território americano seja negado - mesmo tendo passado três anos em Nova York sem causar nenhum tipo de problema.

Samad diz que ainda não solicitou visto para retornar, mas o pedido de sua namorada, que não tem descendência árabe e não nasceu no dia 11 de setembro, foi negado. “Imagina então quando eles virem meu nome e a data de nascimento”, prevê.

Samad, por força das circunstâncias, é hoje professor de inglês. Segundo ele, o diploma de publicidade americano de nada serviu na hora de procurar emprego no Brasil. Além de voltar para os Estados Unidos, Samad tem outro sonho: conhecer a Europa, especialmente a Espanha.

Mas, a exemplo dos americanos, os europeus também tomaram uma série de medidas para evitar ataques terroristas em seu território e estão dificultando a entrada de estrangeiros, principalmente árabes. Por causa desse preconceito criado em torno do povo árabe, Samad confessa que sente apreensão sobre o que pode lhe acontecer nos Estados Unidos ou na Europa. “Sinto medo da reação que as pessoas possam ter ao ouvir meu nome e ver minha data de nascimento”, comenta.

De acordo com ele, bairros ocupados por árabes nos Estados Unidos foram alvos de ataques como represália ao que aconteceu em 2001. Antes disso, ele conta que o povo árabe sempre foi bem tratado e respeitado pelos americanos.

“Depois dos ataques, o comércio (ponto forte dos árabes) foi boicotado e ficou às moscas nos Estados Unidos. Mesmo tendo passado cinco anos, a revolta contra o povo árabe continua.”

Para Samad, os ataques contra as torres gêmeas em Nova York e o Pentágono, em Washington, tiveram motivação política. “Na minha opinião, os atentados não tiveram nada a ver com questões étnicas, religiosas ou culturais, mas com guerra e política”, afirma. Segundo ele, a revolta de uma parte do povo árabe não é contra os americanos, mas contra a política externa dos Estados Unidos.