Em 7 de setembro 1822 D. Pedro I proclamava a Independência do Brasil às margens do rio Ipiranga, tornando o Brasil livre da exploração portuguesa. Mas devemos analisar que esta mudança não foi uma ruptura do dia para a noite, decorreu de um processo histórico que tem suas raízes na Inconfidência Mineira de 1789, na Conjuração Baiana de 1798 e a Revolução Pernambucana de 1817, que eclodiram em províncias que lutavam contra a opressão da Metrópole.
Segundo o historiador Caio Prado Junior, a Independência do Brasil foi um “arranjo político”. D. Pedro afastou-se da influência da política portuguesa, mas houve uma transferência do poder da Metrópole para o novo governo que se instalava. A elite continuou mantendo a estrutura social vigente, que era a utilização da mão-de-obra escrava e a estrutura agrária nas mãos das mesmas elites.
O povo não participou desse processo, ficando à margem da estrutura do poder, sem direito de ser ouvido, excluído do processo político.
Neste ano de eleição, muitos dos eleitores dizem que irão votar nulo ou branco. precisamos avaliar esta posição, pois esse processo em que o povo vai às urnas eleger seu representante é muito diferente do Brasil da Independência, em que os governantes eram escolhidos sem nenhuma participação popular. Hoje, através do voto, podemos ser ouvidos, não somos silenciados facilmente, podemos exigir nossos direitos a partir do momento que saibamos escolher aquele que melhor nos representa.
Lutar por uma vida melhor e com mais qualidade, um Brasil livre realmente, onde os seus cidadãos possam andar com segurança pelas ruas de suas cidades, onde a educação possa ser oferecida de forma eqüitativa e de qualidade, que cada brasileiro possa ter um emprego que realmente consiga manter sua família, que cada político eleito pelo voto tenha responsabilidade de manter-se afastado da corrupção e lutar pelos interesses de quem o elegeu, que o capital financeiro e a elite que governam este país não sejão tão cruéis. Este, sim, seria um Brasil livre e independente.
Márcia Germano Tostes - professora de História da Escola Estadual “Marta Aparecida H. Barbosa” (Caic) - RG 39.713.994-9