10 de julho de 2026
Esportes

Recopa: Após empate, São Paulo tem dia conturbado

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - O São Paulo segue líder isolado do Brasileiro. Manteve uma escrita de três anos sem perder para o maior rival. Vive a expectativa de conquistar o título da Recopa -recebe o Boca Juniors no Morumbi nesta quinta-feira e fatura a taça com vitória de 1 a 0. Mas teve ontem um clima tipicamente corintiano. Um dia de crise.

O técnico Muricy Ramalho barrou a imprensa e teve uma conversa reservada de 1h10min com os seus atletas para consertar os estragos provocados pelo empate de anteontem contra o Corinthians, que sustentou o 0 a 0 jogando com nove homens desde os 25 minutos do primeiro tempo. Na conversa, além do puxão de orelha no elenco, o treinador passou um vídeo do clássico para mostrar o que foi feito de errado dentro de campo.

“Houve um pouco de tudo. Cobrança, confiança, vimos de novo o teipe do jogo e o principal: não adianta lamentar o empate contra o Corinthians”, disse o volante Mineiro.

Apesar do discurso ensaiado de que o empate foi uma lição e que o título da Recopa apaga tudo, usado pelo atacante Thiago, o clima é de tensão. Principalmente para o técnico Muricy Ramalho, que está imprensado com a insatisfação de conselheiros e parte do elenco. O trabalho do treinador está em xeque junto aos dirigentes e também com a torcida. E pesam contra ele vários fatores.

Além da falta de padrão tático da equipe, ganha proporções maiores o seu currículo modesto (não ostenta um título de expressão nacional), o fato de ter perdido as duas competições que disputou (Paulista e Libertadores) e a má utilização das peças nos jogos da equipe nos últimos dias.

Outro ponto que desagrada alguns dirigentes, são os constantes pedidos de reforços, principalmente para o ataque. Além da resistência que vai ganhando corpo na parte diretiva, o técnico já começa a colher alguns desafetos. O principal deles: Alex Dias. O jogador, que substituiu Aloísio contra o Boca na Argentina na etapa inicial, e foi sacado no segundo tempo, ficou irritado quando entrou contra o Corinthians faltando poucos minutos para o fim do clássico.

“Entrei porque o homem mandou [Muricy], mas sabia que não ia ter condições de resolver”, falou o atacante a um conselheiro do São Paulo após a partida de anteontem. Entre o elenco, também não pegou bem a afirmação de Muricy de que o time está pressionado e é tímido em campo.

Souza, barrado contra o Boca, substituído diante do Corinthians ainda durante o primeiro tempo, também não esconde a insatisfação de ser sempre a primeira opção a deixar o gramado quando a coisa vai mal. Apesar do ambiente de tensão, a diretoria ainda pretende dar crédito a Muricy. E o motivo principal é a falta de opções que agradem aos cartolas no atual mercado de treinadores.