Agudos - O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) está dando continuidade ao processo de desapropriação da Fazenda Águas do Pelintra, em Agudos (18 quilômetros de Bauru), iniciado no ano passado, conforme matéria publicada em julho de 2005 pelo JC. A confirmação foi dada ontem ao JC pela assessoria de imprensa do Incra, que ratificou que a propriedade está classificada como improdutiva, portanto, de interesse para desapropriação visando assentar famílias.
No entanto, o gerente de planejamento da Duratex, José Antônio Pelissoli, acredita que a empresa conseguirá reverter o processo em andamento no Incra. Dos aproximadamente 4,5 mil hectares que formam a fazenda, Pelissoli explica que cerca de 2,5 mil hectares pertencem a Duratex, que adquiriu as terras da Ambev, onde é plantado eucalipto.
A área que o Incra já considerou como improdutiva fica às margens da rodovia Marechal Rondon (SP-300), ao lado da fábrica da Ambev. No entanto, Pelissoli garante que o órgão fundiário do governo federal se utiliza de critérios sem fundamentos técnicos para caracterizar a área como improdutiva e por isso passível de desapropriação pela União.
“Nós acreditamos que, se politicamente não resolvermos dentro do Incra, judicialmente resolveremos, porque confiamos na Justiça”, considera o gerente.
Uma informação extra-oficial dá como certo que a Duratex deixaria Agudos caso se confirmasse a desapropriação. O gerente de planejamento da empresa definiu o boato como “especulação”.
“Não estamos raciocinando com a hipótese da Duratex sair de Agudos. E essa decisão cabe à diretoria e só seria discutida após uma decisão final”, acrescenta ele.
A assessoria de imprensa da Ambev ainda não tinha uma posição oficial da indústria ontem. Provavelmente, hoje, a empresa se manifestará sobre o assunto.