Agudos - A manutenção do processo de desapropriação pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) provocou novas reações contrárias do prefeito de Agudos Carlos Octaviani (PMDB).
Ele manifestou, ontem, sua preocupação porque imaginava que o instituto já tivesse desistido da idéia de desapropriar a área considerada por ele como produtiva e de interesse ecológico.
Contrariando a posição de Octaviani, técnicos do Incra consideraram, em vistoria no ano passado, a fazenda improdutiva e, portanto, de interesse do governo federal para fins de reforma agrária. O coro de descontentamento foi engrossado, na época, por representantes da Ambev e da Duratex.
Preocupados com as conseqüências negativas que poderiam resultar da instalação de um assentamento no local, representantes da Ambev, da Duratex e o prefeito de Agudos reagiram contrários à idéia.
Sem notícias, agora o prefeito se diz preocupado porque o processo de desapropriação da área continua aberto. “O governo Lula, preocupado em mostrar assentamentos, não arquivou o processo ainda. Esse processo está caminhando mais lentamente, mas está caminhando”, lamentou o prefeito.
Octaviani enfatizou que acha absurdo o Incra escolher o local que, segundo ele, é produtivo além de ser Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie).
Ele alega que existem terras mais distantes que, além de improdutivas, saem mais baratas para o governo. “É um absurdo eles terem o desejo de implantar esse assentamento justamente em frente à Marechal Rondon. Um alqueire de terras aqui custa mais de R$ 200 mil. Em outros pontos mais distantes pode-se comprar terras por R$ 15 mil”, acredita.
O prefeito explica que, junto com as empresas instaladas próximas ao local, procurou a Justiça para tentar reverter a situação. “Depois que nós entramos na Justiça, eles deram uma maneirada no processo. Não engavetaram, mas seguraram um pouco. Mas o processo continua, lamentavelmente”, diz.
Octaviani lembra que teve a orientação da Organização Não Governamental (ONG) Vidágua, do Ministério de Justiça Federal de Bauru e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sobre o assunto. “Eles (do Incra) são totalitários e não estão nem aí (para nossas preocupações)”, critica, ressaltando que enquanto o processo de desapropriação não for arquivado a preocupação continua. “Enquanto não desistirem da idéia, nós temos a preocupação dessa instalação em nosso município”, lamenta.
Para o prefeito, o governo federal deveria ter um programa de financiamento popular de terras para tentar resolver o problema de quem quer realmente se tornar um agricultor. “O que o governo deveria fazer é financiar terras para eles a juros que eles teriam condições de pagar em 20 anos, como se financia uma casa, mas sem a burocracia e com mais agilidade. São tantas áreas devolutas que existem no país próprias para isso. Agora vem desapropriar uma área nobre e produtiva”, revolta-se.
No ano passado, a reportagem do JC ouviu o professor de ecologia vegetal Osmar Cavassan, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, que avaliou o solo da área em questão como sendo “pobre” para fins agrícolas.