11 de julho de 2026
Internacional

Em julgamento, Saddam acusa milícia curda de ser ‘agente do Irã e sionista’

Folhapress
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Bagdá - O deposto presidente iraquiano Saddam Hussein fez ontem duras críticas às milícias dos dois principais partidos curdos do norte do Iraque, que chamou de “agentes do Irã e dos sionistas”. Saddam expressou sua opinião durante a audiência de julgamento contra ele e mais seis ex-assessores por “genocídio” contra os curdos durante a operação Al Anfal, realizada pelo Exército do ex-ditador entre 1987 e 1989 no Curdistão. Saddam e seus colaboradores podem ser condenados à pena de morte se forem considerados culpados.

São analisadas oito campanhas sucessivas da operação Anfal, entre os dias 22 de fevereiro e 6 de setembro de 1988, nas quais o Exército iraquiano teria recorrido a armas químicas, à artilharia pesada e a ataques aéreos.

O ex-líder iraquiano referia-se às milícias peshmerga, que pertencem à União Patriótica Curda (UPK), do atual presidente iraquiano, Jalal Talabani, e ao Partido Democrático do Curdistão (KDP), liderado pelo presidente dessa região autônoma, Masoud Barzani.

“Na história moderna do Iraque, precisamente entre 1961 e 2003, o que está ocorrendo no norte do Iraque é considerado uma rebelião”, disse Saddam, que defendeu a campanha militar de seu Exército no Curdistão. “No mundo todo, o Exército do país intervém quando há uma rebelião”, acrescentou.

Segundo números oferecidos pelo procurador-geral do Tribunal Penal Supremo, mais de 180 mil curdos foram assassinados ou desapareceram na operação Al Anfal que coincidiu com os últimos dois anos da guerra entre Irã e Iraque.

Na audiência de ontem, o tribunal ouviu o testemunho de dois curdos que acusaram Saddam e seu primo Ali Hassan al Majid (o Ali Químico) de ter ordenado os ataques e as detenções registrados no final da década de 80 no Curdistão.

Uma das duas testemunhas pediu indenização econômica e moral pelos danos sofridos. Segundo essa testemunha, um homem, as forças de segurança iraquianas detiveram sua irmã e sua mãe, enquanto ele conseguiu fugir para o Irã com outros três membros da família.