Ontem, no final da tarde, foi lançado oficialmente o programa Cips-Criança. O projeto, de iniciativa do Consórcio Intermunicipal de Promoção Social (Cips) de Bauru, pretende retirar das ruas crianças carentes que não têm onde ficar quando os pais saem para trabalhar e oferecer atividades pedagógicas, que irão ajudar no desenvolvimento intelectual desses menores.
As atividades do Cips-Criança começam na primeira semana de outubro. A partir da data, a entidade será um local onde as crianças de famílias de baixa renda poderão ingressar aos 7 anos e aprender importantes matérias escolares, só saindo aos 18 anos, qualificados para o competitivo mercado de trabalho – anteriormente o Cips atendia apenas jovens de 14 a 18 anos, oferecendo cursos profissionalizantes e desenvolvendo atividades físicas e culturais.
Serão oferecidas 120 vagas para o Cips-Criança. O foco são menores, na maioria filhos de catadores de recicláveis, matriculados em escolas estaduais, que se dividirão em quatro turmas separadas de acordo com a faixa etária. Eles participarão de atividades coordenadas por quatro recreacionistas e dois professores de ensino fundamental.
“O projeto pedagógico foi cuidadosamente preparado para eles. Não será nada parecido com aula tradicional. Faremos somente atividades lúdicas. Por exemplo, matemática ensinaremos com amarelinha, e português com um contador de histórias”, explica a assistente social e coordenadora técnica do Cips, Marilucia Mauad, uma das idealizadoras do projeto.
Segundo o presidente do Cips, José Carlos Previdello, o projeto irá beneficiar principalmente filhos de catadores de produtos recicláveis que acompanham os pais pelas ruas da cidade. Ele destaca o trabalho que será feito com os menores. “Será uma espécie de atividade complementar. Elas poderão entrar em contato com tudo aquilo que não têm a oportunidade de aprender na escola ou na rua, trabalhando. Vamos tentar ensinar a elas como é a vida, dando oportunidade e mostrando novos horizontes”, afirma.
Segundo Mauad, o projeto só conta com o apoio da Prefeitura Municipal, através da Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes). De acordo com a assistente social, o custo mensal estimado para a manutenção do Cips-Criança gira em torno de R$ 7 mil, incluindo alimentação e transporte para os menores. “Qualquer ajuda do primeiro setor seria muito bem vinda”, destaca.
O único parceiro, a Sebes, irá selecionar as crianças que serão atendidas pelo programa e ajudará mensalmente com uma quantia em dinheiro. “Estamos entrando com um recurso, não é muito, mas é um começo para poder contribuir para um trabalho que para nós é muito importante”, destaca a secretária do Bem-Estar Social, Egli Muniz, que representou o prefeito Tuga Angerami (sem partido) na cerimônia de lançamento.
Muniz aponta dois diferenciais da iniciativa. “Primeiro, o projeto está focado em crianças que acompanham a família no trabalho e, dificilmente, conseguem voltar para casa a tempo de ir para a escola, perdendo aula e ficando expostas diversas situações de risco. O outro seria a metodologia, totalmente inovadora que incentiva a permanência das crianças no Cips”, destaca.
O delegado Abel Abreu, da Delegacia de Infância e Juventude (Diju), também estava presente e parabenizou a iniciativa. “Tudo o que vem a tona para beneficiar os menores é salutar. Torço para que a sociedade se unifique para ajudar a nossa juventude”, afirma.
Diversas pessoas compareceram ontem ao Cips para prestigiar a cerimônia de lançamento do novo projeto. O salão ficou lotado. Na ocasião, os presentes cantaram o hino nacional, acompanharam uma apresentação de dança de rua, ouviram discursos dos principais envolvidos no programa, conheceram as dependências onde será desenvolvido o Cips-Criança e, ao final, se confraternizaram em um coquetel.
____________________
A entidade
As atividades do Cips têm 46 anos história. O trabalho começou na década de 1960, quando era conhecido como projeto “Reco Reco”. De lá para cá, o nome mudou e a estrutura também. Cerca de 1.300 jovens de 14 a 18 anos participam de cursos profissionalizantes na área de hotelaria, almoxarifado, atendimento a cliente, telemarketing e marketing pessoal.
Também são realizadas atividades de esporte, lazer e informática. Somente jovens que comprovarem ter baixa renda familiar podem participar, mas os interessados têm que esperar vagas pelo período de até um ano, devido à grande demanda. O Cips fica na rua Inconfidência, nº 2-28, Centro. A seleção para o projeto Cips-Criança é feita pela Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes).