10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Pacote da habitação favorece emprego

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 4 min

O pacote de incentivo ao setor da habitação lançado nesta semana pelo governo federal deve beneficiar, principalmente, a geração de empregos. A análise é de especialistas e empresários do setor imobiliário e da construção civil em Bauru.

Para eles, as oito medidas contempladas pelo plano, que inclui o crédito com desconto em folha, taxas prefixadas para o financiamento imobiliário, entre outras, devem resultar, sobretudo, na abertura de mais postos de trabalho.

“O fato de motivar essa área resolve o problema habitacional e também gera empregos. E esse pacote não vai contemplar apenas o pedreiro e o servente, mas também postos de trabalho indiretos, como aquele profissional que instala gesso nas residências, o eletricista, o jardineiro, aquele que limpa piscina”, avalia o economista Wagner Ismanhoto.

O presidente do Sindicato da Habitação (Secovi) em São Paulo, Romeu Chap Chap, também acredita que um dos principais méritos do conjunto de medidas do governo seja o potencial que o pacote tem de gerar empregos.

“Parte dos cinco milhões de empregos com carteira assinada que foram criados recentemente é resultado de estímulos como esse pacote. Por isso, tenho certeza de que essas medidas vão fomentar ainda mais a oferta de postos de trabalho na construção civil”, destaca. Entretanto, Chap Chap acredita que os reflexos dessas medidas devam ocorrer de forma gradativa.

O empresário do ramo da construção em Bauru Renato Aiello considera o pacote uma oportunidade de aquecer o setor em todos os seus segmentos. “Estimulando a construção civil, há mais compra de imóveis, de materiais de construção e, por conseqüência, geração de emprego”, acrescenta.

Para o economista Ismanhoto, a medida poderia ser mais benéfica caso o governo tivesse condições de baixar os juros, o que poderia incentivar ainda mais os investimentos e a geração de empregos. “Mas não há como alterar essa realidade porque o governo não manda nos juros praticados no mercado. O que manda é a lei da oferta e da procura por dinheiro”, observa o economista.

Em Bauru, segundo o gerente regional de negócios da Caixa Econômica Federal (CEF) Wanglei Rodriguez Taú, o crédito consignado é a medida que mais deve favorecer as pessoas que tentam se tornar mutuárias. “Essa possibilidade vai favorecer acesso e maior facilidade de aprovação do crédito. Dessa forma, teremos melhores preços no mercado devido à maior concorrência que será incentivada”, considera.

Taú não soube precisar o valor do montante de crédito que será disponibilizado à regional da CEF em Bauru. Entretanto, segundo ele, o governo não estabeleceu limite para o recurso. “Teremos condições de trabalhar com a demanda que surgir”, acrescenta. O gerente também informou que entre janeiro e agosto deste ano, a regional da CEF em Bauru liberou 15 mil financiamentos. Ele acredita que dentro dos próximos dias, a procura por créditos imobiliários deve crescer até 30% por conta do pacote de incentivo do governo.

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TR facultativa

O conjunto de medidas lançado pelo governo federal tem sido elogiado pelos empresários do ramo imobiliário e da construção civil, principalmente por oferecer taxas prefixadas com TR (Taxa Referencial que corrige a poupança e varia a cada mês).

Para Renato Aiello, sócio-proprietário de uma empresa do setor de construção civil em Bauru, a medida que faculta a aplicação da TR e a linha de crédito disponibilizada às construtoras são os principais benefícios do pacote. “Tudo isso estimula a competição entre bancos, o que favorece a baixa dos juros e, conseqüentemente, incentiva a produção. Dessa forma, mais pessoas terão condições de comprar a casa própria”, avalia.

O empresário do ramo imobiliário Ércio Luiz Domingues dos Santos também acredita que a TR facultativa pode beneficiar o mutuário por conta da prestação ser prefixada do começo ao fim. “Resta saber se os bancos vão deixar de aplicá-la, já que não são obrigados a abrir mão dessa taxa”.

Santos também destaca o crédito consignado como uma das medidas mais vantajosas do pacote, especialmente para os servidores públicos. “O servidor público tem estabilidade e, por isso, condição de adquirir crédito consignado a longo prazo. Já quem trabalha na iniciativa privada, caso perca o emprego, terá de renegociar o empréstimo, além de ficar sem o benefício”, avalia.

O empresário acredita que o impacto maior do pacote deva ser sentido a partir do ano que vem.