O aposentado Rui Guimarães de Carvalho, 57 anos, gastou muita gasolina anteontem para estacionar sua moto no Centro de Bauru. Ele precisou rodar cerca de dez minutos para encontrar uma vaga. A dificuldade foi tão grande, que só conseguiu parar a cinco quadras da agência bancária onde pretendia fazer alguns pagamentos.
“Esse problema ocorre porque os mototaxistas, que têm ponto específico, desrespeitam os estacionamentos dos motociclistas comuns. Hoje, estacionar no Centro é uma tarefa complicada e irritante”, reclamou o aposentado.
A insatisfação de Carvalho é compartilhada pelo auxiliar-administrativo Márcio Henrique Bueno, 27 anos. Ele também precisou gastar um pouco mais do pneu de sua moto, na última terça-feira, para estacionar no Centro da cidade. “Falta vaga porque os mototáxis invadem o estacionamento da gente. Precisei de uns dez minutos para encontrar um lugar onde eu pudesse deixar a minha moto”, conta Bueno, que estacionou numa das vagas reservadas a mototaxistas na rua Gustavo Maciel, em frente ao banco Bradesco.
“O único mototáxi que estava no local ameaçou acionar a polícia caso eu não saísse. Deixei a moto onde estava e só voltei depois de ir onde eu precisava. Eles estacionam nas vagas da gente, por que não podemos fazer o mesmo?”, questionou.
Exclusividade
O mototaxista André Ramos Falcão, 36 anos, diz que é comum motociclistas estacionarem nos locais reservados aos mototáxis. Na tarde de anteontem, por exemplo, ele tentava guardar as seis vagas especiais para mototaxistas que ficam em frente à quadra 3 da rua 13 de Maio, no Centro. “A gente procura explicar que a área é exclusiva para mototáxi, mas a maioria não respeita, deixa a gente falando sozinho. Colocamos até banquinhos nos espaços para impedir que as motos encostem, mesmo assim não adianta”, ressalta.
Os mototaxistas alegam que os espaços reservados a eles ficam fora dos locais de maior movimento, o que justificaria a ocupação de vagas que não são destinadas à categoria. “Somos obrigados a usar os estacionamentos dos motociclistas particulares. Nos lugares reservados para a gente, não passa ninguém. São muito afastados do movimento”, explica o mototaxista Maurício Silvério da Silva, 49 anos, que estava parado anteontem na rua Antônio Alves, no Centro, numa vaga que não é reservada ao serviço de mototáxi.
O sargento Aparecido Bento, da Base de Trânsito, acredita que as 500 vagas disponíveis para o estacionamento de motos no Centro de Bauru sejam insuficientes para atender a atual frota, de mais de 28 mil veículos. Para ele, esse déficit explica a “disputa” de vagas entre mototáxis e motociclistas. Atualmente, existe uma vaga para cada 56 veículos.
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Frota cresce 9%
Em Bauru, conforme dados da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), a frota de motocicletas cresceu 9% de janeiro a junho deste ano em relação ao mesmo período de 2005. O número desses veículos saltou de 25.994 para 28.280.
Para o sargento Aparecido Bento, da Base de Trânsito, o crescimento da frota está relacionado com o custo-benefício que a motocicleta oferece aos motoristas. Além da facilidade de locomoção no trânsito, o veículo é bem mais econômico que um carro. Apesar disso, sargento Bento acredita que as motos só podem ser viáveis às pessoas e ao próprio trânsito desde que o motorista preze pela prudência.
“Mas em geral, não é bem isso que ocorre. Os motociclistas costumam ousar, fazendo zigue-zague ou costurando as filas de carro, por exemplo. Na maioria das vezes, essas atitudes resultam em acidentes, fazendo crescer as estatísticas de mortes de trânsito no município”, observa.
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Fiscalização
Segundo o sargento Bento, o policiamento de trânsito não consegue fiscalizar esse tipo de infração porque as motos usadas como táxis não têm identificação diferenciada. “Não temos como autuar os mototáxis porque suas motos não têm identificação. Não temos como saber se a moto estacionada pertence a mototaxista. A Emdurb (Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru) deveria cadastrar e identificar esses veículos”, comenta.
Sargento Bento avalia como necessária a criação de mais vagas de estacionamento para motos na região central da cidade. Entretanto, ele diz que essa ampliação precisa ser feita com cautela, de modo que não cause prejuízos ao trânsito.
Segundo a Emdurb, o número de vagas para estacionamento de motos no Centro da cidade não é insuficiente para atender a demanda. De acordo com a assessoria de comunicação do órgão, existem 502 espaços disponibilizados na região central para os motociclistas particulares. Já os mototaxistas são contemplados com 466 vagas, sendo 40% delas na região central e 60% entre os bairros da cidade.
A assessoria informou ainda que há um projeto em estudo para a ampliação dessas vagas no Centro. Porém, o número de espaços que seriam criados não foi definido.