Relatório da Unesco divulgado em 17 de agosto último constata que, dentre as 163 nações que acataram a recomendação de universalizar a educação para todos até 2015, feita durante a reunião de Dakar no ano 2000, apenas 47 a cumpriram até 2005.
O Brasil, infelizmente, não se inclui no bloco dos que estão respondendo a contento a esta importante agenda das Metas do Milênio. Além disso, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o País tem 33 milhões de analfabetos funcionais – pessoas com menos de quatro anos de estudo – e 16 milhões de pessoas com mais de 15 anos ainda não-alfabetizadas. Isto demonstra que os números meramente retóricos sobre melhoria do ensino apresentados pelo governo não comprovam a realidade.
Outra estatística da Unesco revela a necessidade de o Brasil contratar 396,3 mil professores para a escola básica até 2015, colocando-o em primeiríssimo lugar dentre as nações enumeradas, que devem aumentar o número de docentes.
À época das eleições, os candidatos são unânimes em afirmar que a educação será a prioridade de seus governos. Entretanto, a história demonstra que, depois de apurados os votos, o tema é relegado ao último plano.
A progressão continuada, que permite às crianças a continuação dos estudos sem que sejam submetidas a uma avaliação de desempenho e possível repetência, apenas serve para alimentar as estatísticas da existência de alunos matriculados no ensino básico. Porém, na verdade, os estudantes passam às séries seguintes sem adquirir as habilidades e competências básicas para ler e escrever. Têm dificuldades até para distinguir as sílabas. Isto, sem mencionar a evasão escolar, cuja redução é o questionável motivo alegado pelos defensores da progressão continuada.
Urge insistir na capacitação dos docentes, inserindo-os nas novas tecnologias da educação, a fim de que possam acompanhar as transformações culturais que marcam o século 21. Também é essencial motivá-los para conscientizar os alunos sobre as necessidades de aprendizagem para sua vida futura.
O conceito das PPPs (Parcerias Público-Privadas), que, conforme lei federal aprovada há mais de um ano, deverá contribuir para mitigar o gargalo da infra-estrutura, bem que poderia inspirar soluções para evitar a falência da educação, a crônica de uma morte evidenciada pelas estatísticas.
Afinal, muito mais até do que portos, aeroportos, estradas, energia e telefonia, a democratização do conhecimento e da cultura é fator condicionante ao desenvolvimento brasileiro.
Neste contexto, a contribuição financeira das empresas serviria para cobrar resultados positivos do poder público, preenchendo a lacuna que a sociedade civil está deixando em aberto.
A autora, Maria Genny Caturegli, é doutora em Ciência da Comunicação