Por mais programas que existam em Bauru, ainda existem crianças nas ruas. Outro dia, me cortou o coração. Na avenida Nações Unidas, uma menina, que não tinha mais do 7 anos, pedia uma moedinha aos motoristas cujos carros paravam no semáforo. Ao longe, um menino mais velho observava. Com a moedinha na mão, entregava para o menino.
Fiz questão de dar uma volta e passar por ali outra vez só para ver a cena de novo. Da segunda vez, a menina ganhou um lanche. E não comeu. Entregou para o menino, que comeu. A menina ficou olhando a primeira mordida. E eu arranquei com o carro quando ele já dava a segunda e empurrava a menina para o outro lado do semáforo fechado. Triste.
Gostaria de fazer uma pergunta: há gente que roda pela cidade fiscalizando isso? Onde estão os pais dessas crianças? Li uma matéria no JC que um juiz condenou os pais de um menino que não estudava e perambulava pelas ruas.
Sei que muitos pais nem sabem que os filhos estão pedindo esmolas nas ruas. Mas não sabem por que? Trabalham? Não têm ajuda de ninguém?
Tenho dois filhos. Sei que não tenho controle sobre tudo o que fazem, mas procuro saber onde vão, quem são seus amigos. No final de semana, minha casa está sempre cheia. Foi a maneira que encontrei de controlar os passos deles. Cada pai e cada mãe devem encontrar a sua, sem tentar se livrar da responsabilidade.
Maria Aparecida da Silva