Itapuí - A avícola Itabom contesta judicialmente o resultado da inspeção feita pela Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) de Bauru, que teria apontado irregularidades na emissão de poluentes em Itapuí (44 quilômetros de Bauru).
A reportagem do JC visitou as instalações da Itabom ontem e entrevistou o diretor Pedro Poli, que disse estar revoltado com o que ele considera “perseguição política” pelo fato de uma ação civil estar sendo movida contra o frigorífico sem que ao menos, segundo ele, houvesse uma fiscalização mais criteriosa do Ministério Público e da própria Cetesb.
“O poder público está no direito e dever de fiscalizar, só que eu acho que ele deveria investigar melhor”, disse. A reportagem tentou entrar em contato com a Cetesb, mas o expediente no órgão já tinha encerrado.
Segundo o advogado da empresa, José Roberto Spoldari, a Itabom já apresentou recurso administrativo à Cetesb há cerca de 40 dias e até ontem ainda não havia obtido resposta. A empresa alega que o processo de avaliação feito pela órgão dá “margem muito larga para o subjetivismo, sem condições de fazer uma contraprova”.
No recurso apresentado pela empresa à Cetesb também consta que o órgão teria feito uma única medição para aferir a emissão de fumaça das chaminés e que não foram consideradas variantes como o tipo e a umidade da madeira utilizada na caldeira.
A reportagem pôde conferir de perto o sistema de tratamento de efluentes líquidos instalados na avícola, onde já foram investidos mais de R$ 3 milhões em lagoas de tratamento de água, flotador (utilizado para separar a gordura animal) e filtros de odores.
De acordo com Poli, há muito tempo a empresa tomou medidas necessárias para o atendimento das exigências ambientais, inclusive, com a contratação da empresa de consultoria Intech Engenharia & Meio Ambiente Ltda, de Florianópolis-SC. “Em função dessa denúncia de que jogam esporos no Córrego Bica de Pedra isso não é com a Itabom. Da Itabom não é”, enfatiza Poli.
Poli disse estar revoltado pelo fato das queimadas de cana, que ocorrem ao redor da empresa, estarem prejudicando os trabalhos da indústria e que, neste caso, apesar de ter denunciado o problema à Cetesb, nada foi feito.
“Um dia desses promoveram uma queimada de cana aqui em frente da Itabom e tinha um vento forte soprando a favor da empresa. Aconteceu que encheu isso aqui de fuligem. Eu tive que suspender o carregamento de frangos para São Paulo. Eu tive várias toneladas de frango condenadas pelo CIF porque entrou essas fuligens. Eu tive um prejuízo de R$ 240 mil. Reclamei até com o presidente da Cetesb”, contou, para depois questionar. “Essa fumaça é boa? A fumaça da caldeira da Itabom é que é ruim? Isso é ridículo, é uma piada, é uma perseguição sem fim e tem que se tomar providências”, argumenta.
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Meio Ambiente
José Vitor Fíccio, ambientalista e coordenador da Organização Não-Governamental (ONG) “Bica de Pedra”, de Itapuí, explicou que possui documentos que provam que a Itabom não é a responsável pelo derramamento de dejetos e sangue nos esgotos e Córrego da Cidade.
“Está tudo documentado que a Itabom não tem nada com isso”, disse à reportagem ontem. Ficcio lembra que entregou fotos e uma fita de vídeo para o Ministério Público de Jaú mas que, desde então, não foi chamado para esclarecer os fatos.
O ambientalista explica que a Itabom é parceira nos projetos de preservação do meio ambiente e que, inclusive, chegou a comprar uma área de 120 mil metros quadrados para que a ONG pudesse tomar conta.
“Eu doei para a ONG Bica de Pedra de Itapuí uma área de 120 mil metros quadrados, 5 alqueires, para a ONG tomar conta. Isso significa 70% da área remanescente do município. Então, a Itabom é proprietária de 70% do remanescente da cidade. Eu comprei para que não pegasse fogo e para que a ONG tomasse conta porque é o último remanescente de mata nativa do município de Itapuí”, conta.
Ficcio acompanhou a reportagem até a caixa de saída de esgoto, fora das dependências da avícola, e foi possível observar que a água saía do local com aspecto normal, sem vestígios de sangue ou dejetos.