08 de julho de 2026
Geral

Fundação do Menor e Amar trocam acusações

Por Alceu Luís Castilho | Correspondente do JC em Brasília
| Tempo de leitura: 2 min

Segue em temperatura máxima a relação entre a Asssociação de Amigos da Criança e do Adolescente em Risco (Amar) e a Febem. As duas instituições foram procuradas para comentar a pesquisa. A Fundação chegou a prometer entrevista, dificultada após a reportagem ouvir a presidente da Amar, Conceição Paganele, que a Febem não considera legítima representante dos adolescentes.

“Está diminuindo o número em São Paulo porque os adolescentes estão sendo levados para os DPs”, disse Conceição. “Recebo reclamações diárias sobre isso”, afirmou, sem especificar um número de adolescentes que estariam em Distritos Policiais. Ela acusou ainda a Fundação de maltratar os adolescentes e de inibir rebeliões por meio do policiamento ostensivo na porta das unidades. “E depois que passaram a me perseguir não está havendo fiscalização”.

A assessoria de imprensa da Febem chegou a prometer entrevista sobre os números divulgados pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, que seriam “positivos”, por “mostrar que os números estão melhorando”. Diante de nova demanda sobre as acusações feitas por Conceição Paganele, informou, porém, que a disposição em falar poderia ser revista. Até o fechamento desta edição os representantes da Fundação não concederam entrevista.

A principal alegação da Febem é a de que Conceição foi indiciada, sob a acusação de incitar rebeliões, e que ela estaria sendo “abandonada” pelas entidades de direitos humanos tradicionalmente ligadas à Amar. Segundo Ariel de Castro Alves, do Movimento Nacional de Direitos Humanos, e que defende Conceição em processo aberto na SEDH, as acusações não procedem e não é verdade que ela tenha perdido apoio. Ele diz que as denúncias e o indiciamento fazem parte de uma estratégia de criminalização dos movimentos sociais.

Os dados da SEDH, compilados a partir dos dados estaduais, não apontam a presença de adolescentes paulistas em cadeias ou presídios. Em Minas Gerais, há oficialmente 300 jovens nessas condições; no Paraná, 157. Esses dois Estados têm, somados, mais de 75% do total de 685 adolescentes nessa situação frontalmente contrária à prevista no Estatuto da Criança e do Adolescentes.