08 de julho de 2026
Nacional

PF prende Luiz Antônio Vedoin

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Campo Grande - O empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin, 31 anos, chefe da máfia dos sanguessugas, foi preso ontem pela Polícia Federal (PF), em Cuiabá (MT), por “ocultação e venda de provas” e por “chantagear pessoas envolvidas em crimes”, ou seja, no esquema de venda de emendas ao Orçamento que envolve ao menos 90 parlamentares.

A prisão foi determinada pela 3ª Vara Federal de Cuiabá, a pedido da PF. “É inadmissível que o réu, disposto a participar de delação premiada, venha a ocultar provas importantes e ainda usá-las para chantagear pessoas, vendendo-lhes tais provas”, diz o mandado. A prisão de Vedoin - que estava escondido em um motel de Cuiabá, segundo a PF - ocorreu um dia depois de seu primo Paulo Roberto Trevisan ter sido preso pelo órgão.

Trevisan foi detido no aeroporto de Cuiabá, na noite de quinta-feira, com uma fita de vídeo, um DVD e fotos que registraram evento em maio de 2001, em Cuiabá, onde o ex-ministro da Saúde José Serra, candidato do PSDB a governador de São Paulo, participa de entregas de ambulâncias vendidas por Vedoin a prefeituras. Vedoin foi levado para a delegacia onde ficou preso quando a PF deflagrou a operação Sanguessuga, em maio.

Ainda de acordo com a PF, Vedoin mandou entregar o material a duas pessoas em São Paulo que, em troca, pagariam R$ 2 milhões em dinheiro. Em São Paulo, segundo a PF de Cuiabá, estão presos o empresário Valdebran Carlos Padilha da Silva e Gedmar Pereira Passos, advogado e ex-agente da PF. Vedoin estava em liberdade desde 11 de julho, após colaborar com a Justiça no sistema de delação premiada.

Em seu depoimento de nove dias, ele revelou o pagamento de propina a parlamentares em troca de emendas ao Orçamento para a compra de ambulâncias. Os veículos, adquiridos por prefeituras em licitações fraudadas, eram fornecidos pela Planam e Santa Maria, empresas de Vedoin. As revelações levaram a CPI dos Sanguessugas a pedir a cassação de 69 deputados e três senadores por venda de emendas ao Orçamento.

Em agosto e neste mês, ao dar entrevistas a revistas, Vedoin envolveu novos congressistas que não havia citados nos depoimentos à Justiça e à CPI. O superintendente da PF em Mato Grosso, Geraldo Pereira, disse que a prisão foi pedida porque “ele estava sonegando prova e atrapalhando as investigações”. “Interceptação telefônica regularmente decretada gerou entre seus frutos o conhecimento de que Luiz Vedoin está negociando provas, em especial documentos que mantém ocultos”, afirmou o juiz ao decretar da prisão do empresário.

Anteontem, Vedoin entregou novos documentos ao Ministério Público Federal que seriam comprovantes de pagamento de propina em troca de liberação de verbas no Ministério da Saúde, em 2001 e 2002.