08 de julho de 2026
Nacional

Franz Ferdinand mostra ‘brasilidade’

Por Lúcio Ribeiro | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Sem o U2 por trás e sem os fãs do U2 pela frente, a banda escocesa Franz Ferdinand se apresenta hoje em São Paulo “pela primeira vez”. O grupo de carreira meteórica e que faz rock para dançar é a atração principal do festival Motomix, hoje à noite em São Paulo. O FF já trouxe a SP, em fevereiro, a turnê de seu segundo disco, “You Could Have It So Much Better”. Mas o grupo veio para abrir os shows do U2 no Morumbi e ficou espremido entre Bono e seus seguidores.

Desta vez será diferente, promete o líder do FF, o vocalista e guitarrista Alex Kapranos, que disse ter escolhido o Brasil para encerrar essa turnê de 15 meses. “Senti que ficamos devendo isso. Esta com certeza vai ser nossa primeira vez na cidade. Foi bom tocar com o U2. Mas aqueles não foram nossos shows. Sabemos da grande quantidade de pessoas que gostam de nossa música em São Paulo e aqui estamos para, agora sim, fazer um show como ele tem que ser”, disse Kapranos, no Rio, antes de iniciar sua segunda passagem no País.

Todos do FF afirmam ter “uma coisa” com o Brasil, o que explica uma banda como a deles e nesse estágio de popularidade vir duas vezes a um país tão longe de sua cena em pouco mais de seis meses. Kapranos já escreveu sobre a culinária brasileira em sua coluna de gastronomia no jornal inglês “The Guardian”.

O guitarrista Nick McCarthy vai estender sua estadia em SP até o meio da semana que vem para conhecer melhor sua “urbanidade”. “Cara, a gente simplesmente ama este lugar. Gente bonita e agradável, lugares fantásticos, comida fantástica. Nós poderíamos morar aqui. Hoje foi o melhor dos dias. Fomos à praia e depois compramos um carregamento de discos”, disse Kapranos, que, em uma pizzaria de Copacabana, fez um pedido que não tinha no cardápio: uma pizza com espinafre, azeitonas, salame e um ovo por cima.

Novo disco

Os rapazes saíram mesmo às compras. Levaram uma viola caipira Giannini, pandeiro, tamborim, discos de vinil de Jorge Benjor, Mutantes, Caetano, Gil e Secos & Molhados. “Comprei também álbuns dos Rolling Stones. Tinha um ‘Beggars Banquet’ com uns escritos em português na capa, o que é bem ‘cool’.”

Outra coisa que o FF afirma aproximar a banda do Brasil é que o terceiro álbum do grupo, a ser lançado em 2007, começou a nascer aqui. “Músicas como ‘Can’t Stop Feeling’, ‘L Weels’ e ‘Ghost in a Ditch’ foram ou escritas ou pré-gravadas no Brasil no começo do ano. Acho que, em ‘Wine in a Afternoon’, colocamos saxofone e trompete tocados por músicos brasileiros, em um estúdio em São Paulo.”

O terceiro álbum do FF já tem um “nome provisório”, diz Kapranos. “Ele se chamará ‘Greatest Hits’”, brinca. E como ele vai soar? “O primeiro era dance. No segundo, parecemos uma banda de rock, mesmo. Este terceiro está mais eletrônico. Quando a gente percebeu, tínhamos enchido as músicas com sintetizadores. Está ficando bom.”

Mais informações sobre o Motomix no site www.motomix2006.com.br.