08 de julho de 2026
Regional

ONG busca órgãos com campanha

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - A Organização de Procura de Órgãos (OPO), com sede em Botucatu (100 quilômetros de Bauru), realizará a 8.ª Campanha Nacional de Órgãos e Tecidos. A coordenação da campanha, que começa no próximo domingo, preparou uma série de eventos com o apoio da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) para informar as pessoas sobre a importância da doação.

A médica pediatra Amélia Trindade, coordenadora da OPO, explica que o objetivo da organização é esclarecer a população e treinar equipes de profissionais a estarem aptas a realizar a doação de órgãos em hospitais.

“Nós estamos constantemente fazendo campanhas dentro das escolas, conversando, dando entrevistas e entregando panfletos para esclarecer a todos. Nós passamos os primeiros seis meses do ano treinando os hospitais da nossa regional (Bauru e Botucatu), pegando as cidades mais importantes para que não aconteça de faltar equipes na doação de órgãos”, conta Trindade.

A coordenadora comenta que, apesar de estar ocorrendo aumento progressivo no número de doadores de múltiplos órgãos, a quantidade ainda é insuficiente. “Na nossa região inteira, que é Botucatu-Bauru, está havendo um aumento progressivo. Do primeiro semestre do ano passado para o segundo, nós aumentamos os doadores de múltiplos órgãos em torno de 80%. Quando olhamos os números totais ainda é pouco em relação ao restante do Estado de São Paulo”, comenta.

No entanto, ela ressalta que o mais importante é que os números continuem a aumentar. Segundo Trindade, o tipo de doação mais comum é a de córnea. “Ela (a córnea) independe do diagnóstico de morte encefálica. Para a doação de órgãos (coração, pulmão, fígado e rim), é preciso que o paciente esteja no estado de morte encefálica, ou seja, falecido mas com o coração batendo. O de córnea é qualquer óbito, não tem uma restrição para córnea”, explica.

A coordenadora comenta que, atualmente, não existe um perfil específico dos doadores de órgãos. Segundo ela, o que faz diferença é o doador deixar claro para os familiares a sua vontade em ceder seus órgãos após a morte.

“O que a gente vê é que aquelas pessoas que são informadas antes, que falaram em casa que eram doadores, têm o seu desejo respeitado pela família. Se ele era um doador ela (a família) vai fazer com que aconteça a doação de órgãos”, conta, ressaltando que a doação só é feita com a autorização dos familiares.

Trindade quer que as pessoas aproveitem a semana da campanha, que termina no dia 1 de outubro, para discutir em família a questão. “Recomendo às pessoas que aproveitem este período da campanha para discutir em casa este assunto porque, por mais tecnologia que nós temos no transplante, ele depende de um ato de solidariedade, que é a doação. Então, é a população que pode resolver este problema da fila de espera”, acredita a coordenadora.

Os eventos da campanha começam no próximo domingo. O patrono da campanha deste ano é o cantor Maurício Manieri, que, segundo Trindade, aceitou o convite da OPO e estará em Botucatu no dia 27. “Nós lançamos um convite e ele espontaneamente respondeu e está vindo gratuitamente para poder divulgar, já que ele atinge um público que nós não atingimos. Ele vai divulgar a idéia com a gente”, comemora.