09 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de pescador: Peixe surpresa


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Alguns anos atrás dois pirangueiros de Piratininga costumavam pegar o “pé-de-bode” e ir buscar peixes no rio Turvo. Eu digo buscar porque naquele tempo podia ser lua nova, lua cheia, quarto crescente ou minguante, com sol ou chuva eles vinham com o embornal sempre cheio. Estou falando dos senhores Mário Braga e do saudoso Estevão Bérgamo, que era mais conhecido por Bepino Sapateiro.

Esses dois amigos resolveram construir um ranchinho na Fazenda Tilibra para abrigar-se da chuva e saborear um churrasquinho enquanto pescavam. O fazendeiro, vendo o ranchinho, perguntou ao administrador o que era aquilo e, depois de ouvir a história, ao invés de mandar destruir. deu ordem para pegar madeira e fazer um rancho confortável.

O rancho está lá até hoje e tem o nome de “Rancho Edmundo Coube”. Pedimos a Deus que continue a iluminar as duas famílias: Coube, de Bauru, e Amancio, de Santa Maria da Serra, atual dono da fazenda.

No rancho já aconteceu de tudo. Alguns visitantes, depois de tomar umas a mais, dormiram com cobras ao lado ou em cima de formigueiros, ficando com a roupa mais furada que peneira de café.

Um pirangueiro barrigaverde ou enxadão (pessoa que não sabe pescar) armou uma vara com anzol para peixe grande e ficou a espera do peixe. Depois de uma hora, mais ou menos, viu que tinha pego algo e começou a gritar, corremos para ajudá-lo e depois de muita luta veio o “peixe surpresa” e para espanto geral era um tatu-peba muito pesado. A ordem no rancho é não matar nada e soltamos o pobrezinho. Acho que os descendentes do tatu moram lá até hoje.

Um abraço a todos os pescadores que zelam pela natureza.

Nelson Braga é professor aposentado, pescador e contador de histórias.