Propaganda enganosa é crime! Parece-nos que esta frase não faz sentido no cenário político brasileiro. Campanhas são criadas e transformam o ruim em bom. Todos os candidatos passam a ser “os melhores”. Alguns não têm escrúpulo algum, outros, uma cara de pau que, “nem peroba neles”resolveria. O teleprompter nunca foi tão bem vindo. Os olhos, perdidos frente à proposta escrita na tela, passeiam por palavras que, muitas vezes, percebemos que o candidato em questão não conhece o significado. Sabe-se que os olhos não mentem, portanto, se aplicarem no congresso a mesma “experiência e habilidade” que mostram ao ler suas propostas, estaremos tão perdidos quanto os olhos dos mesmos. E todos falam que a educação de qualidade é o melhor caminho, o problema é que eles não entendem nada a respeito de educação, que dirá de qualidade.
Muitos fazem questão de dizerem que são doutores, professores, religiosos e variantes. A titulação passa a ser o primeiro nome, particularmente acho isso oportunismo, afinal, sabemos que nem todo médico, professor ou religioso é bom. Dá até medo! É tanta gente querendo mudar o Brasil, contudo nem sabem exatamente o que deve ser mudado. É evidente que se tivessem sido aplicadas todas as propostas “maravilhosas e mirabolantes” que nos são apresentadas em campanhas passadas, nas quais caímos como “patos”, o Brasil já estaria em ótimas condições. Porém, sabemos que é tudo uma jogada barata. Jogam, no final do “torneio”, com as pessoas, como jogaram com as palavras, no início da campanha. Mas a propaganda eleitoral tem seu lado bom, para mim, é um dos melhores programas humorísticos que a tv aberta tem apresentado nos últimos anos. De graça e para todos. Desconheço alguém que nunca tenha dado boas gargalhadas frente à televisão durante o famoso Horário Eleitoral. Apesar de alguns não terem graça nenhuma, vale a pena rir da inutilidade, inaplicabilidade ou ainda da falta de uma proposta - decente. Raspou a barba? “Mas a sua voz continua a mesma!” E as propostas? Falando em voz, que variação de entonações invade nossos ouvidos - ou deveria dizer “penicos” - da mais serena a mais enérgica, da rouca à tosca, da fina à grossa. Sons diversos entoando a mesma e velha sinfonia da mentira. Quanto às expressões faciais, todos tentam fazer cara de bonzinho, cara de gente simples e, por que não dizer - sem nenhuma conotação pejorativa ou preconceito - cara de “pobre”, porém, no caso deles, de espírito. Vão do terno à blusinha de alcinha, tudo pra agradar o eleitor. Mas é quase que notório que, se eleitos, passarão a vestir Armani. Afinal, todos querem subir na vida, porém primeiro têm que subir nas nossas costas, ou deveria dizer, contas? É ficou difícil votar! Muitos dos que se sujeitam ao papelão frente às câmaras, que invadem descaradamente as nossas salas falando bobagens, descartamos de imediato. Não lhes damos a segunda chance, afinal de contas, não a merecem mesmo. Outros, nomes já conhecidos, descartamos também, afinal, sabemos de onde os conhecemos, evidentemente que é de escândalos – quase natural! Sobram poucos. Um ou outro que “sabemos” realmente que são bons, e outros que, mesmo podendo ser bons, nunca ouvimos falar. Aí complica mais! Muitos dos candidatos estão sempre dando a cara a tapas, parece concurso, prestam o que aparecer, não importa o partido, a ideologia, a coligação ou a proposta, pois, caso não sejam eleitos, talvez venham a engrossar as estatísticas do desemprego no país. E, será que estes cargos políticos fazem parte dos “tantos” empregos que seriam criados na atual gestão? Faz sentido. Só assim faz sentido tamanha pantomima. O pior é que em toda eleição é a mesma coisa! Será que os políticos ou aspirantes pensam que somos como mulher de bandido e que, por isso, gostamos de apanhar?
Vendo tudo isso percebemos que não é atoa que as campanhas institucionais nos falam para termos muito cuidado para votar. Dizem-nos para escolher, analisar, pesquisar e votar consciente, afinal de contas, sabem muito bem o que estão nos oferecendo para ocupar os cargos mais importantes do governo. Se pensarmos ainda que deve haver uma “peneira” nos partidos para selecionar os candidatos, dá mais medo ainda de imaginar o que poderia ser o cenário político brasileiro e seus personagens. Mas, pelo jeito, na peneira devem ter ficado apenas a “Cuca, o Saci, a Mula sem Cabeça”, entre outros, afinal, fazem parte de um outro folclore, aquele que, talvez os políticos que “defendem” a “tal educação de qualidade” nem conheçam.
O autor, Paulo Henrique Carducci, é professor e jornalista - especialista em Educação Escolar - Colégio e Faculdade Fênix