08 de julho de 2026
Internacional

EUA ameaçaram Paquistão após 11/9

Folhapress
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Islamabad - O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, afirmou ontem que os EUA ameaçaram atacar seu país caso ele se recusasse a cooperar com a invasão do vizinho Afeganistão para depor a milícia Taleban, após os ataques terroristas de 11 de Setembro.

Musharraf deu as declarações ontem em entrevista à CBS, que irá ao ar no domingo. Segundo ele, a ameaça foi feita pelo vice-secretário de Estado americano, Richard Armitage, ao chefe da inteligência paquistanesa. “O diretor (da inteligência) me disse que as palavras (de Armitage) foram: “Estejam preparados para serem bombardeados. Estejam preparados para voltar à idade da pedra”, afirmou o líder paquistanês, acrescentando que considerou as ameaças americanas “muito rudes”.

O governo dos EUA não comentou as declarações de Musharraf, que se encontra em Washington e deve se reunir com Bush na Casa Branca hoje. O líder do Paquistão afirmou que seu governo reagiu às ameaças de maneira “responsável”. “É preciso pensar e tomar ações em favor do interesse da nação, e foi o que fizemos”, afirmou.

Antes dos ataques de 11 de Setembro, o Paquistão era o único país a manter relações com o governo afegão da milícia Taleban, que abrigava o líder terrorista saudita Ossama Bin Laden. No entanto, após os atentados, o governo de Musharraf cortou as relações com o regime Taleban e concordou em cooperar com os esforços dos EUA para capturar membros da Al-Qaeda e da milícia Taleban refugiados em território paquistanês.

Documentos do governo americano apontam que Armitage se reuniu com o embaixador paquistanês e com o chefe da inteligência do país em 13 de setembro, e exigiu que o Paquistão adotasse sete medidas. Entre as exigências, estaria o fim do apoio logístico a Bin Laden.

O relatório americano não cita ameaças, mas, segundo Musharraf, as sete exigências foram cumpridas no mesmo dia. Ele disse ontem, durante a entrevista à CBS, que ficou insatisfeito por ser obrigado a entregar o controle de bases militares na fronteira com o Afeganistão aos EUA.

Musharraf também reagiu negativamente aos comentários feitos ontem por Bush, que disse que enviará tropas dos EUA ao Paquistão caso receba informações sobre o paradeiro de Bin Laden.

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Caçada a Bin Laden

Washington - O presidente americano, George W. Bush, afirmou ontem em entrevista à rede de TV CNN que irá enviar tropas dos EUA para o Paquistão para caçar o terrorista saudita Ossama Bin Laden caso receba informações a respeito do paradeiro do líder foragido da rede Al-Qaeda. Bush disse que tomará as “medidas necessárias” para trazer Bin Laden à justiça. No entanto, o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, disse ontem que não permitiria uma operação das tropas americanas em seu país.

Após os ataques de 11 de Setembro, atribuídos à Al-Qaeda, Bush liderou uma coalizão que invadiu o Afeganistão, com o intuito de capturar Bin Laden. Desde então, o líder terrorista não foi encontrado.

Recentemente, autoridades paquistanesas assinaram um acordo de paz com líderes tribais pró-Taleban no noroeste do país, após dois anos de embates que mataram mais de 600 soldados paquistaneses.

Tropas americanas e da Otan agora tentam combater a insurgência Taleban no sudeste do Afeganistão, e tanto oficiais afegãos quanto paquistaneses são acusados de não se esforçarem para capturar talebans que se infiltram pela fronteira entre os dois países.

Ontem, Bush também defendeu a decisão de não se encontrar com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, na 61.ª Assembléia da ONU. Recentemente, o Conselho de Segurança da ONU pediu que o Irã suspenda o programa de enriquecimento de urânio, que, segundo o governo americano, tem o objetivo de desenvolver armas nucleares. O Irã nega as acusações, dizendo que o programa tem fins pacíficos. Segundo Bush, os EUA concordam em dialogar com o Irã somente se o país “abandonar seu programa nuclear”. “Ele sabe quais são as condições, eu deixei isso muito claro”, disse Bush.

Tanto Bush quanto Ahmadinejad discursaram na assembléia da ONU nesta terça-feira. Os EUA e o Irã cortaram relações diplomáticas em 1979, depois que extremistas iranianos invadiram a Embaixada americana em Teerã e mantiveram diplomatas americanos reféns durante 444 dias. Em 2002, Bush afirmou que o Irã faz parte de um “eixo do mal”, ao lado do Iraque -invadido em 2003 - e da Coréia do Norte.