10 de julho de 2026
Nacional

Mantega nega turbulência gerada pela crise

Folhapress
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Rio - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, minimizou o caso da compra de dossiê contra tucanos e negou que a crise política instaurada com a suspeita de envolvimento de membros do PT tenha influenciado a turbulência do mercado financeiro. Nas palavras de Mantega, a economia brasileira está “sólida” e “tranqüila”.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou a semana com queda de 3,72% e o risco-país brasileiro alcançou anteontem alta de 7%. Segundo ele, as perdas no mercado financeiro brasileiro foram decorrência da constatação da queda da atividade na economia americana e do desaquecimento do setor habitacional nos EUA, além de reflexos de crises políticas, mas de outros países. Ele citou o golpe de Estado na Tailândia e a queda de gabinete na Polônia. “Houve uma certa turbulência econômica no mundo todo e não só no Brasil a não ser que a gente imagine que os problemas do Brasil se refleteriam no mundo todo. Ainda não estamos com essa força toda para abalar os mercados internacionais”, ironizou. “É óbvio que não tem nada a ver com o dossiê, mas é um turbulência internacional de curto prazo.”

Segundo ele, o movimento de alta do risco-país no Brasil também foi acompanhado no mesmo patamar por outros países emergentes. “É óbvio que não tem nada a ver com dossiês, relatórios e coisas que o valham. Houve apenas um turbulência internacional de curta duração. Pode durar alguns dias, mas o Brasil está sólido e vacinado contra esse tipo de turbulência. Hoje nós estamos confortáveis diante desse tipo de oscilação do mercado internacional”, disse. Mantega disse que o Brasil conseguiu diminuir a distância entre seu risco-país em relação a outros emergentes.

De acordo com ele, em janeiro de 2006 o risco-país brasileiro era de 300 pontos base enquanto a média dos países emergentes era de cerca de 190 pontos base. “Em setembro essa diferença caiu para cerca de 50 pontos base”. Mantega minimizou o impacto do dossiê e seus desdobramentos mesmo com as investigações ainda em curso. Ele disse que vê “exploração política” do episódio. “Estamos na reta final da campanha eleitoral, é normal se explorar tudo que aparece, mas ela vai ser superada e o mais importante, ela não afeta a economia, como a crise do ano passado não afetou a economia. Nós já atingimos um nível de amadurecimento da política brasileira, de modo que a política não venha a interferir nela.”

Mantega manteve as projeções de crescimento da economia brasileira em 4% em 2006. Ele citou os dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), que apontaram aumento da renda de 4,6%, entre 2004 e 2005 -o primeiro crescimento desde 1996- e o aumento de 1,1% da ocupação nas seis regiões metropolitanas do país em agosto. Além disso, falou na alta do comércio varejista e da venda de veículos. Além disso, ele disse que a taxa básica de juros (Selic) continuará em trajetória de queda.