09 de julho de 2026
Internacional

Gasto com armas supera o auge da Guerra Fria

Folhapress
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Londres - As despesas militares globais devem registrar recorde neste ano: US$ 1,06 trilhão (R$ 2,21 trilhões), segundo relatório divulgado ontem pela ONG britânica Oxfam. Se confirmado, o valor supera o total despendido no ápice das despesas militares da Guerra Fria, em 1988, quando chegou a US$ 1,04 trilhão. Os dados citados pela Oxfam foram fornecidos pelo Instituto Internacional de Pesquisas pela Paz (Sipri, na sigla em inglês), sediado em Estocolmo, que compila gastos anuais em armamento militar no mundo todo.

A Oxfam também afirmou que as vendas dos 100 maiores fabricantes de armas subiram 60% entre 2000 e 2004. Na liderança dos gastos, estão os EUA, com larga vantagem sobre o segundo colocado, o Reino Unido.

O relatório da Oxfam destaca ainda o crescimento das despesas militares em regiões pobres, especialmente na África, onde Congo, Ruanda, Sudão, Botswana e Uganda dobraram seus gastos entre 1985 e 2000. O Oriente Médio também está mais militarizado. Ali, em quase todos os países as despesas militares superam 5% do Produto Interno Bruto, chegando a mais de 9% em locais como Israel, Jordânia e Kuwait - a média mundial é de menos de 4%. A conseqüência direta do aumento de armas e conflitos é mais fome e pobreza, segundo Anna McDonald, diretora da Oxfam.