10 de julho de 2026
Regional

Restauração da ponte de Barra Bonita vira ‘novela’

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Barra Bonita - Os turistas que visitam a estância de Barra Bonita (a 68 quilômetros de Bauru) não têm como deixar de ver a ponte Campos Salles. Localizada na região central, ela é, antes de tudo, a principal ligação entre a estância e a cidade de Igaraçu de Tietê. Construído por uma empresa alemã em 1915, o monumento histórico carece de restauração. Está com a pintura desgastada, lâmpadas queimadas e muita ferrugem.

Mas restaurar a ponte virou uma ‘novela’. No começo deste ano, um deputado estadual, em passagem pela cidade, anunciou uma verba de R$ 50 mil para os reparos. O dinheiro, que deveria ser retirado na Caixa Econômica Estadual, até hoje não chegou.

Na avaliação dos moradores, um patrocínio talvez resolvesse o problema da verba, mas o tombamento ainda não foi assinado, o que inviabiliza a busca pelo patrocinador.

A diretora de turismo da cidade, Juliana Périco Abel, explica que, embora a população acredite que a ponte já foi tombada, isso não é real. “O processo de tombamento foi feito em 1999 e, a partir de então, ela passou a ser considerada tombada. Porém, para fins de patrocínio e busca de recursos, ela ainda não é tombada, falta a assinatura da Secretaria do Estado de Cultura de São Paulo”, explica.

A promessa da verba pública, segundo a diretora, não passou do discurso. “Foi prometida uma emenda para restauração da ponte. Com a verba daria para fazer a pintura, a troca de madeira do alçapão e a troca de lâmpadas”, afirma.

A última manutenção da ponte, construída pela empresa alemã Maschien Frabik Angsburg Nurenberg, foi feita em 1998. “Foi a última manutenção da ponte”, comenta a diretora de turismo. Por conta disso, aponta Juliana Périco Abel, a ação do tempo gerou a necessidade da restauração. “Atualmente a ponte está com a pintura desgastada, lâmpadas estão queimadas e há ferrugem. Da parte estrutural eu não tenho uma avaliação.”

Recentemente, lembra Juliana Abel, um barulho assustou os usuários. “O barulho era proveniente de dois parafusos que prendiam a chapa de um dos cantos do alçapão. Eles estavam soltos. Trocamos os parafusos e o barulho cessou”, garante.

Diante da ‘novela’ criada em torno da verba para restauração da ponte, a diretora diz que o município está à procura de recursos. “Estamos procurando outros meios de recursos para fazer a manutenção da ponte. Está no planejamento de janeiro/2007 restaurar a ponte com dinheiro do próprio departamento”, adianta.

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História

Barra Bonita - O ex-presidente da República Manoel Ferraz de Campos Salles foi o principal articulador político para a viabilização da ponte que representou, na época, um avanço na economia local e regional, já que o transporte se tornou precário.

A balsa e os barcos não conseguiam atender a demanda de passageiros e cargas da estância de Barra Bonita para Igaraçu do Tietê e vice-versa. Sem contar que muitas viagens eram adiadas ou atrasadas em função das enchentes e problemas mecânicos.

Para resolver o problema, a ponte era necessária. As obras, que começaram três anos antes da inauguração, passaram por inúmeras dificuldades impostas pelas enchentes, acidentes e pela terra movediça encontrada no leito do rio Tietê, onde estavam sendo feitas as perfurações.

O trabalho foi paralisado várias vezes. O atraso nas obras não permitiu que o idealizador da ponte a visse concluída. Em junho de 1913, Manoel Ferraz de Campos Salles morreu e a ponte só foi concluída dois anos depois.