Inaugurado no final da década de 60, o Distrito Industrial 1 de Bauru passa por situação semelhante à de um homem na faixa dos 40 anos de idade: ao mesmo tempo que cumpriu a maioria dos objetivos de sua existência, o lugar tem que conviver com os primeiros sinais de exaustão.
Localizado às margens da rodovia Bauru-Jaú (SP 225), o local foi pensado inicialmente como um pólo de desenvolvimento econômico do município – algo em que, de certa forma, realmente transformou-se, contando hoje com 94 empresas em atividade, algumas delas empregando mais de 1.200 funcionários.
A situação dos dias atuais é de longe melhor do que em 1969 e 1970, quando o distrito foi inaugurado: na época, resumia-se a uma dezena de fabriquetas cercadas de mato por todos os lados (com exceção, é claro, da área vizinha, situada do outro lado da rodovia, onde estava sendo construído o Jardim Redentor, primeiro conjunto habitacional da cidade).
Operários das antigas, como Ademar Antônio de Deus, de 58 anos, recordam o período em que as primeiras fábricas estavam sendo instaladas. “Aqui era tudo vazio, nem ônibus entrava, para chegar no serviço a gente tinha que andar três quilômetros a pé”, conta ele, que trabalha há 44 anos na fábrica de baterias automotivas Ajax (naquele tempo a empresa chamava-se Baterias Molina).
Hoje, com ruas asfaltadas e repleto de empresas, o Distrito Industrial 1 parece ter atravessado uma trajetória ascendente desde sua criação. Mas isso é apenas nas aparências já que, no passado, o local teve momentos de maior pujança.
“Houve um tempo, no finais dos anos 70 e início da década de 80, em que a gente era cercado nas ruas por pessoas oferecendo emprego. Hoje em dia o distrito virou um cemitério de fábricas”, diz o mecânico Edson Teixeira de Souza, de 48 anos, que trabalha no lugar desde 1975.
A afirmação pode parecer exagerada, mas dados da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico mostram que ela não está tão distante da realidade. Apesar de a quantidade de empresas funcionando no local (94) parecer expressiva, o número poderia ser maior: 109, não fossem as 15 que se encontram fechadas atualmente.
A presença de empreendimentos desativados é problema em outras áreas industriais da cidade. O Distrito Industrial 2 - “irmão” mais novo do Distrito 1, inaugurado no final dos anos 70 e também localizado às margens da rodovia Bauru-Jaú – poderia contar atualmente com 45 empresas em atividade, não fossem as oito que se encontram fora de funcionamento. A questão preocupa o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Bauru, Wallace Sampaio.
“Muitas das empresas que deveriam funcionar no local estão fechadas. Outro problema é que boa parte dos lotes disponíveis no município para instalação de empresas sequer chegou a ser ocupada”, diz ele, incluindo em seu diagnóstico o Distrito Industrial 3, situado na região noroeste da cidade, ao lado da rodovia Bauru-Marília (SP 294).
Além desses problemas, as áreas industriais da cidade convivem com outros, de diversas naturezas: tanto podem estar relacionados ao fraco desempenho da economia brasileira nos últimos anos quanto estar ligados a questões específicas existentes no município, entre as quais uma das relevantes é a dificuldade para instalação de novos empreendimentos no município.
Existem outros: umas fábricas com instalações antigas daqui, alguma falta de manutenção na infra-estrutura dali, e assim por diante. Problemas da idade dirão alguns, no caso do Distrito 1. Pode até ser... Décadas depois de inaugurado, ele precisa agora mostrar ser um quarentão vigoroso, para não sucumbir rapidamente à decadência provocada pelo tempo.