09 de julho de 2026
Bairros

Áreas têm empresas de serviços e lotes ociosos

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru, que sempre teve economia fortemente ligada ao setor de serviços, possui três distritos industriais: os mais antigos (1 e 2) estão localizados às margens da rodovia Bauru-Jaú (SP 225), o mais recente situado à beira da Bauru-Marília (SP 294).

Considerando-se apenas os três locais, são ao todo 142 empresas em atividade, de diferentes portes e ramos de atividades. A maioria delas (94) está localizada no Distrito 1, que por sinal é também o mais antigo. Já o 2 e o 3 contam, respectivamente, com 37 e 11 estabelecimentos em funcionamento.

Apesar de “industriais”, os distritos de Bauru também manifestam a ligação da cidade com o setor de serviços: dos 142 empresas estabelecidas nos locais, apenas 58 dedicam-se exclusivamente à atividades do setor secundário.

São 46 indústrias no Distrito 1, oito no 2 e apenas duas no 3. Por outro lado, podem ser encontrados 31 estabelecimentos dedicados ao comércio atacadista, 32 prestadoras de serviço, além de 19 transportadoras nos três espaços. Apesar de curiosa, a presença de empresas do setor terciário nos distritos industriais não representa um desvio de finalidade das áreas.

“O fato de serem ‘industriais’ não impede que empresas de outros setores da economia atuem nessas áreas”, explica o secretário de Desenvolvimento Econômico de Bauru, Wallace Sampaio, em referência à lei municipal número 5.198, de 22 de outubro de 2004, que regula as atividades nos locais.

Para ele, o principal problema existente nas áreas industriais da cidade é o alto número de lotes ociosos. A quantidade de estabelecimentos desativados ajuda a dar uma idéia da dimensão do problema: 23, localizados nos distritos 1 e 2.

Mas o problema da ociosidade nas áreas industriais de Bauru não se resume apenas a empresas fechadas. “Diversas áreas dos distritos ainda não foram sequer ocupadas”, lembra Sampaio. E a questão é ainda mais complexa.

“Um problema constatado nesses locais é a presença de pequenas empresas em lotes grandes demais. Como conseqüência, boa parte da área acaba sendo subaproveitada“, diz ele. A existência de espaço ocioso não é fruto do acaso, mas sim do emaranhado de leis anteriores que regulavam cada um dos distritos.

“O modelo existente não era criterioso, tanto que era permitido até mesmo a pessoas físicas receberem lotes nas áreas industriais”, afirma Sampaio. Sem regulação adequada, os responsáveis pelos terrenos ficavam desobrigados de desenvolver atividades empresariais nos distritos.

“Da forma como era feita a doação, a pessoa passava a ter plena liberdade para fazer o que bem entendesse com a área recebida. Como conseqüência, muitos acabaram destinando lotes para especulação imobiliária, em vez de desenvolverem atividades produtivas”, diz Sampaio.

Além dos lotes ociosos, um problema existente nas áreas industriais de Bauru é a falta de infra-estrutura básica nos distritos 2 e 3. “As leis que estabeleceram esses locais colocavam as obras sob responsabilidade da prefeitura, que por sua vez não dispõe de recursos suficientes para realizar tais melhorias”, afirma Sampaio.

O problema é tão sério que acabou deixando o poder público “escaldado”. Em empreendimentos futuros do gênero, como os minidistritos, por exemplo, a realização da infra-estruturas pela prefeitura deixará de ser gratuita. “A idéia é fazer um cobrança em 60 parcelas, com o valor final sendo destinado a um fundo específico para o custeio dessas obras”, conclui Sampaio.