08 de julho de 2026
Bairros

Distritos industriais de Bauru

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Há cerca de 40 anos, quando foi inaugurado, o Distrito Industrial 1 era visto como símbolo de progresso que chegava a Bauru. Hoje, mesmo contando com um número considerável de empresas em funcionamento (algumas delas com milhares de funcionários), o local está longe de poder ser considerado moderno.

“Na verdade, o Distrito 1 está tecnicamente ultrapassado. Os critérios usados para sua instalação poderiam ser validos quatro décadas atrás, mas hoje em dia não”, acredita o engenheiro Natanael Pedroso, gerente de planejamento e meio ambiente da Ajax, empresa fabricante de baterias automotivas, uma das pioneiras do local.

O problema, segundo ele, está no fato de o distrito reunir empresas de diferentes ramos de produção. “Aqui você encontra fábricas de alimento ao lado de metalúrgicas, o que não é adequado. A tendência hoje é que as áreas industriais sigam uma vocação específica de produção”, explica ele.

A opinião de Pedroso é reforçada pelo diretor regional da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em Bauru, José Luiz Miranda Simonelli. “Os critérios para instalação de um distrito industrial mudaram bastante. No passado pensava-se muito em questões de logística, mas hoje em dia as questões ambientais ganharam maior relevância”, frisa.

Wallace Sampaio, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Bauru, lembra que, apesar de os três distritos industriais de Bauru possuírem conceitos ultrapassados para época atual, nenhum está em desacordo com a legislação ambiental vigente.

“Todas as empresas instaladas nessas áreas estão devidamente registradas nos órgãos competentes, do contrário não estariam funcionando”, ressalta. Se a estrutura antiquada não representa grande problemas quando o assunto é meio ambiente, ela se torna um sério entrave aos projetos de expansão das indústrias instaladas no local.

Com 35 mil metros quadrados de área construída, por exemplo, a Ajax já não tem espaço para expandir atividades no terreno de 41 mil metros quadrados que ocupa atualmente. “Como a fabricação de baterias só pode ser feita horizontalmente, o jeito vai ser investir em maquinário novo para aumentar a produção”, diz Pedroso.

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Minidistritos

Sem espaço para novos empreendimentos, a Prefeitura de Bauru vai partir agora para a instalação de minidistritos industriais. As áreas que provavelmente serão destinadas à instalação de micro e pequenas empresas ficam no Jardim Pagani e no Parque Guadalajara.

Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Bauru, Wallace Sampaio, o início da implantação das áreas depende aprovação do Plano Diretor, o que deve ocorrer nas próximas semanas.

Assim, de acordo com ele, ficaria sanado um dos principais problemas existentes nas áreas industriais da cidade. “Quando os distritos foram concebidos, pensava-se apenas em grandes empresas, por isso foram doados apenas lotes superiores a 1.000 metros quadrados”, conta ele.

Como boa parte das empresas tinha pequeno porte, os terrenos não foram ocupados em sua totalidade e os locais passaram ser subaproveitados. Além dos minidistritos, a prefeitura estuda a expansão da área do Distrito Industrial 2.

“Seriam acrescentados mais 190 mil metros quadrados, que precisam ser ainda viabilizados”, diz Sampaio. Além disso, ele lembra que o Plano Diretor vai oferecer outra alternativa de ampliação das áreas industriais, com a permissão de uso de faixas de terra às margens das rodovias que cortam o município, a exemplo do que está sendo feito nas proximidades no novo aeroporto, no bairro rural de Rio Verde.