Dados do TSE mostram ainda que metade dos deputados com mais influência na Câmara, conforme critérios do Diap, pertence ao grupo com maior renda. Os deputados mais influentes possuem uma vida financeira melhor que a dos demais. Entre os 22 mais ricos em 2006, sete estão na lista dos deputados mais influentes do País, segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).
São parlamentares que se destacam na formulação de propostas, formação de opinião, na articulação, negociação ou nos debates. São Paulo tem 14 deputados com esse perfil – metade, portanto, entre os milionários. A média de idade deles é de 59,2 anos.
A lista do Diap contém ainda dez deputados classificados como “em ascensão”. São parlamentares que vêm se destacando, mas não tanto como os demais, e possuem potencial para chegar ao primeiro time. Entre esses dez deputados, cinco estão na lista dos 22 mais ricos. A média de idade deles é de 61,2 anos. Entre os sanguessugas, a média de idade baixa para 54,7.
Nenhum deputado investigado por suposta participação no escândalo das ambulâncias, ou dos sanguessugas, está na lista dos deputados paulistas milionários. Mas alguns aparecem logo abaixo, com R$ 971.269 (Vanderlei Assis, PP), R$ 924.693 (Neuton Lima, PTB) e R$ 897.764 (João Batista). Os demais são Ildeu Araújo, do PP (R$ 735.000), Amauri Gasques, do PL (R$ 481.395), Irapuan Teixeira, PP (R$ 173.000) e Edna Macedo (R$ 100.000). Marcos Abramo (PP) e Wanderval Santos (PL), igualmente acusados, não declararam bens este ano.
Wanderval foi também um dos acusados – e absolvidos em plenário - no escândalo do mensalão. Os outros quatro acusados encontram-se numa faixa financeira melhor que a dos sanguessugas. São eles os petistas João Paulo Cunha (com R$ 319.444), Professor Luizinho (com R$ 797.357) e José Mentor (R$ 1.424.379) e nada menos que o líder na lista, o multimilionário Vadão Gomes, o deputado com mais de 16 milhões de dólares (R$ 35.781.985).
A média de votos recebidos em 2002 pelos mais influentes foi de 154.022, quase o dobro daquela obtida pelos sanguessugas: 74.897. Este número baixo reflete em boa parte a presença de quatro deputados, entre os acusados de participação no esquema das ambulâncias, eleitos pelo Prona com centenas (275, 382, 673) de votos ou, em um caso, 18.421 votos, por conta da alta votação de Enéas Carneiro.