Só faltou falar os números dos candidatos. A tribuna da Câmara Municipal de Bauru virou palanque durante a sessão de ontem. Os vereadores gastaram a maior parte do tempo para pedir votos para candidatos da cidade, para “orientar” o eleitor a não votar em determinados candidatos e a propagar as realizações do governo estadual, sem citar o atual governador Cláudio Lembo (PFL), mas sim o anterior, Geraldo Alckmin (PSDB), que coincidentemente é candidato a presidente.
A exceção ficou por conta de Majô Jandreice (PC do B) e José Carlos Batata (PT), que defenderam a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Tudo isso sob a anuência do presidente da Câmara, Toninho Garmes (PSDB), que afirmou independência dos vereadores para falar o que querem na tribuna. “Não vou amordaçar a boca de nenhum vereador. O vereador é inviolável na tribuna”, afirmou.
Os vereadores usaram a inauguração do Poupatempo Bauru e da base do 4o Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI-4), realizada sábado, como justificativa para saudar candidatos. Difícil foi conter a euforia de alguns, que por pouco não anunciaram o número de seus candidatos na tribuna.
O “show”, entretanto, ficou por conta de Primo Mangialardo (PV) e José Carlos Batata (PT), que protagonizaram a principal discussão do dia na Câmara. Mangialardo foi à tribuna com a revista Veja em mãos, que traz na capa da edição desta semana uma caricatura do presidente Lula, com a faixa presidencial tapando os olhos, em referência ao escândalo da tentativa de compra, por petistas, de um dossiê que envolveria o candidato a governador pelo PSDB, José Serra, na máfia das sanguessugas.
Mangialardo não se conteve e mostrou a foto de Lula, com outros membros do PT, publicada na revista, e pediu para que os eleitores não votassem “nesta corja”, o que provocou reações do vereador petista. Ele ainda soltou um vídeo no qual vários músicos tocam o Hino Nacional em diferentes ritmos. “Eu não entendo como tem gente com coragem de defender esse povo”, disse, referindo-se ao PT.
Batata também não se conteve e criticou duramente o presidente da Câmara Toninho Garmes, por deixar Mangialardo falar daquela maneira. Para o vereador do PT, não é aceitável que se use a tribuna para fazer campanha a favor ou contra quem quer que seja. “Em todos esses meses de campanha, nunca usei a tribuna para promover candidatura de ninguém. O que está acontecendo hoje nesta Casa não pode acontecer”, reclamou.
Durante o período eleitoral o uso da tribuna pelos vereadores foi realizado sem qualquer cerimônia em relação à campanha, sobretudo pelo vereador Faria Neto (PDT), que esqueceu da liderança do prefeito na Casa e cuidou praticamente de pedir votos para candidatos de Bauru.