A renda da maior parte dos bauruenses vem do setor de prestação de serviços. Conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 11.486 pessoas que vivem no Município estão empregadas nesta área. E a evolução desses números tem sido satisfatória. Entre janeiro e agosto deste ano, o segmento criou 1.664 vagas na cidade, 7,3% a mais que o número registrado no mesmo período de 2005, quando absorveu 1.550 empregados. Na ocasião, a massa trabalhadora que atuava na prestação de serviços somava 10.468 funcionários.
O setor também é líder no mercado. São 7.089 postos de trabalho a mais que a indústria. Hoje, o segmento industrial concentra, em todo o município, 4.397 trabalhadores.
“As grandes empresas, para aliviar o custo social, estão terceirizando mão-de-obra. É uma tendência que força a grande massa trabalhadora a migrar para a informalidade”, observa o titular da Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho (Sert) de Bauru, Alexandre Bertoni.
Para ele, a baixa concentração de trabalhadores do parque industrial bauruense também é reflexo da substituição da mão-de-obra humana por equipamentos de alta tecnologia, fenômeno comum em todo o País. “Não podemos deixar de ressaltar as inúmeras indústrias que a cidade perdeu nos últimos anos”, acrescenta Bertoni.
De acordo com a Serti, mais de 50% dos trabalhadores empregados na área de prestação de serviços na cidade são terceirizados. Para Bertoni, o segmento tem pouco a contribuir com o desenvolvimento de Bauru. Ele acredita que o setor é frágil e, sobretudo, instável. “A economia da cidade precisaria estar subsidiada em setores como a indústria, que é mais sólida e consolidada, e que oferece maior estabilidade ao trabalhador. Hoje, o empregado terceirizado não tem Fundo de Garantia, seguro social. Ele é autônomo por sua própria conta e risco, sem ter nenhum vínculo com o INSS”, destaca Bertoni.
“A terceirização não prejudica, é um conceito errado imaginar que alguma empresa opte por essa alternativa para reduzir custos. É muito melhor uma indústria contratar um serviço de limpeza, que já vem especializado, do que ela própria manter”, diz o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Walace Sampaio.
Segundo ele, Bauru é uma cidade que apresenta vocação natural para o setor de prestação de serviços, especialmente em razão de estar situada na região central do Estado de São Paulo. Para Sampaio, os números do Ministério do Trabalho não surpreendem. Além do Município favorecer o desenvolvimento da prestação de serviço, ele entende que a indústria não está perdendo mão-de-obra, mas apenas substituindo a forma de contratação.
“O setor industrial, de fato, está sendo automatizado. Mas a indústria está optando pela terceirização, o que explica a vantagem do setor de prestação de serviços no número de contratações. Simplesmente, o trabalhador migra de um campo para outro”, completa Sampaio.
Fiesp
Para o diretor do Departamento de Ação Regional (Depar) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em Bauru, José Luiz Miranda Simonelli, o baixo desempenho da indústria na geração de empregos é motivado pelo desaquecimento do consumo de produtos industrializados nacionais dentro do País. Essa dificuldade seria gerada pela competição com os produtos importados, somada a uma baixa massa salarial.
“Exportamos poucos produtos industrializados e importamos muitos, altamente industrializados. Isso implica num número maior de desemprego na indústria nacional. Sem falar que o consumidor, em geral, deixou de comprar consideravelmente”, avalia Simonelli. “Isso é reflexo da atual política econômica, que mantém a inflação em baixa por conta de taxa de juros alta e contenção do consumo. A demanda é muito menor que a oferta”, acrescenta.
A diminuição da capacidade de consumo, avalia o diretor do Depar, é reflexo da falta de massa salarial. Ele diz que o quadro positivo da indústria está concentrado nos setores petrolífero e de extração mineral, os quais são automatizadas e, conseqüentemente, empregam pouca mão-de-obra. “Às vezes, temos um aumento de produção, mas o consumo aparente reduziu, porque proporcionalmente, a população aumentou”, observa.