Depois de apanhar do companheiro durante duas horas, E.R., 32 anos, conseguiu fugir e chamar a Polícia Militar (PM), na manhã de ontem. O agressor, E.N.A., 32 anos, foi preso minutos depois. Ele foi o segundo homem detido em menos de 24 horas, em Bauru, por agredir a mulher. Na noite de ontem, mais um terceiro rapaz foi flagrado pela polícia pela mesma razão. Muito exaltado, ele acabou quebrando os dedos de uma policial e mordendo o outro PM.
Em vigor desde a última sexta-feira, a Lei da Violência Doméstica e Familiar já levou primeiramente à prisão o pedreiro João Aparecido Fitz, 41 anos. Ele foi autuado em flagrante após agredir sua companheira, a empregada doméstica M.A.S., de 43 anos, que pediu para não ter seu nome divulgado. Logo na manhã de ontem, E.N.A. acionou o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), depois que conseguiu escapar do companheiro.
Na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), ela contou que por volta das 8h da manhã, os dois começaram a discutir sobre quem iria comprar açúcar para o café. E.R. partiu para cima da companheira, com quem vivia há oito anos, e passou a golpeá-la com chutes e socos. “Ele começou a me sufocar e eu desmaiei. Acordei com ele jogando pinga no meu rosto. Ele tinha me enrolado num tapete e colocou fogo num papel e jogava em cima de mim”, relatou.
Ela contou que conseguiu escapar do tapete, mas que continuou apanhando. “Ele me jogava no chão e me levantava pelos cabelos. Eu fiquei umas duas horas apanhando”, relata. Ela conta que o companheiro quebrou alguns móveis com um martelo. Enquanto ela limpava os cacos, aproveitou para fugir. Longe de sua casa, a vítima chamou a polícia. Os soldados Edson de Lima Brancaglião e Patrícia Gonçalves levaram E.R. para a DDM e depois passaram a procurar o agressor.
Ele foi encontrado próximo à sua casa e na revista pessoal, os PMs encontraram um revólver calibre 32, com três projéteis e a numeração raspada. Além de ser detido por agressão e ameaça, ele também vai responder por porte ilegal de arma de fogo.
Com diversas lesões nas pernas, braços e no rosto, E.R. diz estar aliviada com a prisão do agora ex-companheiro, que já tinha passagem na polícia por agressão e roubo, segundo ela. “Ele sempre foi agressivo. Há uns três anos, quando a gente terminou, ele botou fogo na casa”, lembra. Nesses oito anos de convivência, E.R. registrou boletins de ocorrência sobre as surras, inclusive quando E.N.A. agrediu o filho caçula dela. “Eu voltava porque ele falava que estava arrependido, que estava nervoso na hora e que não iria me bater de novo. Mas agora chega. Quem ama não bate. Eu vou vender a minha casa e ir embora de Bauru com os meus filhos”, diz.
Era por volta das 20h, quando um casal de namorados começou a brigar na quadra 7 da rua Aviador José de Barros Silva, Jardim América. O rapaz agrediu a namorada e a polícia foi acionada via Copom. Segundo os vizinhos, ele também deu uma cabeçada num primo, que estava tentando contê-lo. Os policias que tentava segurá-lo também foram agredidos. Um foi mordido no braço e a policial teve dois dedos quebrados. Segundo o comandante da Base Sul da PM, tenente João da Costa Duarte, os policiais foram levados ao Pronto-Socorro Central, mas passavam bem.
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‘Maria da Penha’
A Lei da Violência Doméstica e Familiar pune com mais rigor a violência doméstica contra a mulher. O nome da lei, “Maria da Penha”, é uma homenagem a uma militante dos direitos da mulheres. Maria da Penha Maia foi agredida pelo marido durante seis anos e esperou durante 19 anos a sua condenação. Um dos pontos da nova lei é a instituição de abrigos para as mulheres que sofrem agressão e para seus filhos.
“Precisamos com urgência de um abrigo. A lei prevê que a mulher tenha proteção policial para retirar seus pertences da casa. Mas e depois? Ela vai para onde?”, questiona Marilda Pansonato Pinheiro, titular da DDM.
Segundo a assessoria de comunicação da Prefeitura de Bauru, todas as mulheres vítimas de violência doméstica que procuram pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), são orientadas e encaminhadas ao serviço especializado prestado pelo Albergue Noturno. De acordo com a Sebes, a demanda apresentada ainda não justifica o investimento em uma construção de Casa Abrigo.