09 de julho de 2026
Internacional

Papa demonstra respeito pelo islã e agrada muçulmanos em encontro

Folhapress
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Vaticano - Em mais uma tentativa de contornar a crise provocada por uma citação que fez, associando o profeta Maomé à violência, o papa Bento XVI disse ontem que tem “total e profundo respeito” ao islã, mas reiterou que o diálogo entre as religiões “requer reciprocidade”.

Em encontro sem precedentes com diplomatas de 22 países muçulmanos na residência de verão papal, em Castelgandolfo (Itália), Bento XVI se pronunciou pela quarta vez sobre a polêmica citação das palavras do imperador Manuel II, o Paleólogo (1391-1425), de que Maomé foi responsável por ações “más e desumanas”, como a ordem para “espalhar pelo medo da espada a fé que pregava”. Mas não se desculpou. “Cristãos e muçulmanos devem aprender a trabalhar juntos para se proteger contra todas as formas de intolerância”, disse o papa.

Segundo Bento XVI, o diálogo entre cristãos e muçulmanos “não pode ser reduzido a uma opção. É uma necessidade vital, da qual grande parte de nosso futuro depende”.

Diante dos diplomatas, Bento XVI também citou um trecho de um discurso feito pelo papa João Paulo II, no Marrocos, em 1985, no qual afirmou que “respeito e diálogo requerem reciprocidade em todas as esferas”, especificamente no que se refere à liberdade religiosa, tema de especial preocupação do Vaticano. Muitos muçulmanos ainda sentem falta de um pedido formal de desculpas.

Entre os países muçulmanos com laços diplomáticas com o Vaticano, só o Sudão não participou do encontro. Dos que estiveram com o papa, só o iraquiano concordou em fazer comentários. “O santo padre expressou seu profundo respeito pelo islã. Era o que esperávamos”, disse Albert Edward Ismail Yelda.

Os esforços do papa foram puramente políticos e não devem acalmar os radicais, prevê o professor de estudos islâmicos Tariq Ramadan, da Universidade de Oxford.