Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilizou ontem o ex-coordenador nacional de sua campanha e presidente do PT, Ricardo Berzoini, pela escolha dos envolvidos - que classificou de “bando de aloprados”- no caso do dossiê contra os tucanos. Lula não admitiu que errou ao escolher os integrantes de sua campanha.
“Não, não admito que errei ao escolher os meus pares. Tem tanta gente que casa e depois de um ano descobre que a mulher não era a mulher ideal, mas namorou seis, sete, oito, nove, dez anos. Casa e depois descobre que não deu certo. Isso faz parte da vida, assim que é a vida humana”, disse o presidente.
Entre os envolvidos no caso estão dois amigos de Lula: Jorge Lorenzetti, churrasqueiro de festas do presidente na Granja do Torto, e Oswaldo Bargas, ex-secretário do Ministério do Trabalho, além de Freud Godoy, um segurança com quase 20 anos de convivência próxima com o petista. Em entrevista a três rádios populares, Lula buscou se afastar ainda mais do dossiê. “Você escolhe um companheiro para determinada função, no caso do pessoal que cuidava da “pseudo-inteligência’ da minha campanha nem fui eu que escolhi, quem escolheu foi o presidente do partido (Berzoini), que era o coordenador da campanha eleitoral.”
O presidente disse que não tem obrigação de saber tudo o que se passa no seu governo porque o Brasil é “muito grande”, mas que sempre toma decisões rápidas quando é informado. “As pessoas com muita facilidade acham que o presidente da República tem obrigação de saber tudo. (...) O presidente da República só pode ficar sabendo se alguém contar as coisas para ele, porque o Brasil é muito grande”, declarou.
“O que é importante é que, quando houver a denúncia, você tem de tomar as decisões rápido, porque é isso que o povo espera, e nós fizemos isso. As pessoas que tinham de ser afastadas foram afastadas, as pessoas que tinham de ser investigadas foram investigadas.”
O petista disse que, num eventual segundo mandato, ele teria que fazer comparações com o governo de Fernando Henrique Cardoso. “Passei quatro anos comparando com o governo anterior. Agora não posso mais comparar com o governo anterior, tenho de comparar com o meu. Aumenta minha responsabilidade, não dá mais para ficar culpando os outros”, afirmou Lula, na entrevista a Gil Gomes (Tupi SP), Eli Corrêa (Capital) e Luiz Ribeiro (Tupi RJ), concedida no Palácio da Alvorada pela manhã.
“Bando de aloprados”
Lula adicionou mais um adjetivo à lista que tem usado para se referir aos aliados envolvidos no caso do dossiê com denúncias contra os candidatos do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, e à Presidência, Geraldo Alckmin. Após tachar seus auxiliares de “imbecis”, ontem se referiu a eles como “bando de aloprados”. E cobrou, mais uma vez, a divulgação do teor do dossiê.
“O que eu quero saber não é apenas de onde veio o dinheiro, eu quero saber quem é que montou a engenharia política pra essa barbárie que foi feita, eu quero saber quem é o engenheiro que arquitetou uma loucura dessas. Porque, se um bando de aloprados resolveu comprar um dossiê, é porque alguém vendeu para eles que esse dossiê deve ter coisas do arco da velha. Então eu não quero saber apenas de onde veio o dinheiro, mas o conteúdo.”
O candidato do PT afirmou que “em todas as campanhas há sempre um bandido tentando te vender uma informação que ninguém tem, que só ele tem” e que o caso do dossiê foi um “gol contra”. “As pessoas que cometeram essa barbárie vão ter de pagar porque foi uma insanidade. Se tivesse de construir a imagem do que aconteceu, construía um monumento à insanidade de pessoas que achavam que estavam marcando um gol a favor e marcaram um gol contra. Porque a última coisa que a minha campanha não precisava era que alguém promovesse o absurdo que foi cometido.”