Se você é daquelas pessoas que acha difícil encontrar uma vaga para estacionar seu veículo nas ruas de Bauru, e fica irritado com isso, certamente vai mudar de idéia, e aprender a se acalmar nessa situação, após conhecer um pouco da realidade do Japão nessa área. As diminutas dimensões geográficas nipônicas - um país 23 vezes menor que o Brasil - e o fato de abrigar uma das maiores populações mundiais - cerca de 127 milhões de habitantes - fazem a chamada terra do Sol Nascente enfrentar um problema extremo: a falta de espaço físico, principalmente no trânsito.
Mas, graças ao enorme senso de organização e planejamento japonês, diversas soluções - muitas sequer impensáveis para o modo de vida brasileiro - foram encontradas para resolver essa questão. E quem conta quais são elas é Daniel Gimenes, um bauruense que, há quase dois anos, reside na cidade japonesa de Toyota, situada a 300 quilômetros da Capital, Tóquio, local onde trabalha como professor de geografia e história dando aulas para brasileiros.
Gimenes, um apaixonado por carros, desde coleções de miniaturas até esportes motorizados, conta que uma das principais alternativas encontradas pelos japoneses para superar o problema foi a proibição de estacionar nas ruas. “Pelo fato do país ser bem limitado territorialmente, é proibido estacionar em todas as ruas, salvo apenas para carga e descarga. Elas não têm vagas por que a maioria é muito estreita e, além disso, é raríssimo encontrar calçadas. Estas existem apenas nas grandes avenidas, que possuem apenas duas faixas de cada lado, pois é muito raro encontrar as com três faixas”, enfatiza
Por isso, acrescenta Gimenes, é comum no Japão a existência de bolsões de estacionamento localizados nas esquinas das quadras residenciais. “E, é claro, você paga por essa vaga. Mas há casas em que qualquer lugar apertado transforma-se em uma garagem. Mas há proprietários de terrenos que ainda não construíram suas casas e alugam a área para as pessoas estacionarem os carros. De forma geral, qualquer cantinho disponível é aproveitado por aqui”, analisa.