Quem disse que menores de 16 anos não podem votar? Alunos de uma escola particular e uma pública de Bauru assistiram aos debates, discutiram em sala de aula, conversaram com os pais e, logicamente, votaram. Aproximadamente 1.200 estudantes participaram de uma simulação de voto em que tinham que optar pelos candidatos (da vida real) à presidência e ao governo do Estado. Todos são estudantes da Escola Estadual (EE) Ana Rosa Zuicker D´Annunziata e do Colégio São José.
Em ambos os casos, o objetivo da iniciativa é despertar a cidadania e o espírito crítico nos alunos - entre 7 e 13 anos - desde cedo. “É nessa idade que eles começam a discutir política, um bom momento para formarmos cidadãos preocupados com o futuro do País”, argumenta a professora da 4.ª série do ensino fundamental da escola Ana Rosa, Adriana Margareth Rodrigues Cruz. “Eles conhecem como funciona todo o processo do voto e são incentivados a cobrar dos políticos eleitos as promessas que fizeram durante a campanha”, explica o coordenador pedagógico do Colégio São José, Valter dos Santos Xavier.
Na EE Ana Rosa, os alunos integrantes do grêmio estudantil organizaram a atividade. Alguns trabalharam como mesários, outros coordenaram as filas e houve até aqueles que fiscalizavam o local, evitando a boca-de-urna. “Eles foram bem organizados. Mostraram envolvimento desde o início”, orgulha-se a professora. Ao término da votação, um dos alunos ficou responsável por fiscalizar a urna para que não fosse violada. Na votação, foram usadas cédulas similares às utilizadas nas eleições no Brasil antes do voto eletrônico. Cada “eleitor” preenchia o voto secretamente e colocava-o na urna. Na escola, aproximadamente 600 alunos com idades entre 7 e 11 anos participaram da atividade ontem.
As amigas Quezia Alves de Oliveira, 9 anos, Patrícia Aparecida da Silva, 8 anos, e Nayara Beatriz de Oliveira de Nepomuceno, 9 anos, pensaram muito antes de escolher seus candidatos. “O mais legal é votar de verdade, mas gostei de participar”, diz Quezia.
Os estudantes Natasha Gabrieli Domingues da Silva, Marcos Antônio Batista Júnior e Bianca Abraão Claudino, todos de 10 anos, foram alguns que “trabalharam” nas eleições simuladas. “Foi só um pouco difícil, mas os alunos se comportaram”, contou Marcos.
O JC se reserva o direito de não divulgar o resultado da simulação da eleição nas escolas para que não haja interpretações de que o jornal quer induzir os leitores/eleitores a uma tendência de favoritismo de um ou de outro candidato.
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Urna em computador
A tecnologia usada para a cidadania. Aproximadamente 630 alunos de 3.ª a 8ª séries do ensino fundamental do Colégio São José puderam “votar” pelo computador, entre segunda-feira e ontem. Como em uma urna real, eles digitaram o nome do candidato - para presidente e governador - e clicaram na tecla “confirma”. Todos os votos foram computados e o resultado será divulgado entre hoje e amanhã.
Empolgados com a iniciativa, os alunos assistiram aos programas eleitorais, os debates e conversaram muito com os amigos antes de escolher os candidatos. A professora Lucilene de Castro explicou que o programa de computador foi desenvolvido por uma empresa de Bauru a pedido da escola. “Cada aluno recebia um número individual e pôde votar apenas uma vez”, explica a professora.
Pedro Dias, 9 anos, foi o primeiro a votar ontem, no colégio. “Foi legal. Analisei bem antes de escolher”, garante. Artur Henrique Rodolpho Souto, 9 anos, afirma que escolheu o candidato sozinho. “Assisti à televisão, mas escolhi sozinho o melhor candidato”, diz. Gabriel Giampietro de Gusmão também pensou bastante. “Primeiro, vi as propostas de cada um, antes de escolher”, conta.